sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

A folk urbana dos Dazkarieh

A banda combina folk europeia e tradição oral portuguesa com rock e temas próprios numa alquimia ora expansiva, ora intimista

O grupo liga voz e instrumentos tradicionais ou modernos
(imagens
: Jorge Costa/Multipistas, Carlos Nascimento)


A impureza sonora dos Dazkarieh poderá não agradar a alguns etnomusicólogos, mas acompanha a tendência global de cada vez mais se cruzarem diferentes sensibilidades e influências.

Criada em 1999 por três amigos - Filipe Neves, José Oliveira e Vasco Ribeiro Casais – que já tocavam juntos, a banda lisboeta viaja pela diversidade musical do planeta, cruzando géneros e instrumentos de todo o mundo: das
percussões africanas e árabes aos cordofones mediterrânicos, sem esquecer as referências tradicionais da cultura sueca e irlandesa.

“Quando surgiu, a ideia era simplesmente fazer música com instrumentos acústicos, assegura ao MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO Vasco Ribeiro Casais, um dos fundadores do grupo, e até então mais ligado ao rock e à música clássica.Depois é que começámos a descobrir a música tradicional de vários países, desde África e Médio Oriente à Europa e Galiza, acrescenta o músico. A parte portuguesa só começámos a descobrir mais tarde”.

As vocalizações deram lugar aos temas em português

Depois da aposta nos originais cantados em "dazkariano"e nas sonoridades étnicas de inspiração europeia, africana, árabe ou brasileira, o grupo (chegaram a ser uma dezena de músicos) concentrou-se nas canções em português e na recriação de melodias tradicionais recolhidas de Trás-os-Montes ao Algarve, incluindo Madeira e Açores.

“As músicas eram vocalizos onde não havia propriamente uma letra, mas com o tempo começou-se a pensar que já que se estavam a escrever letras numa língua imaginária, porque não escrever poemas em português. E a voz, apesar de ser um instrumento, começou a servir também como um meio para divulgar outro tipo de mensagem, explica Joana Negrão, que acompanha os Dazkarieh desde 2006. Começámos a procurar músicas da tradição oral portuguesa com as quais nos identificássemos e a trabalhar muito esse tipo de repertório, em conjunto com as nossas próprias composições”, refere a vocalista da banda.

A acústica dos instrumentos é explorada até ao limite

Em palco, os Dazkarieh exploram os limites físicos da
nyckelharpa ou do “bouzoukão” (guitarra portuguesa com a forma de bouzouki e cordas de baixo). Instrumentos acústicos alterados – veja-se o caso da bateria, com pratos partidos para se obter um som mais sujo, ou do adufe, percutido com baquetas - ou tocados de forma enérgica e pouco convencional, lado a lado com clássicos da música tradicional como o cavaquinho, a gaita-de-foles transmontana, a sanfona ou o bandolim (aqui com dez cordas).

“Começámos a fazer o que víamos e ouvíamos, porque não nos identificávamos muito com a música tradicional que se fazia em Portugal. Depois fomos ouvindo grupos que já tinham feito esse trabalho com a música deles e tentámos fazer música tradicional não como ela era feita antigamente mas com uma visão mais urbana”, diz Vasco Casais. Fazemos a música que nós sentimos à nossa maneira, e o que temos feito é pegar nas músicas portuguesas de tradição oral e dar-lhe o nosso gosto, trazê-la para os nossos dias”.


Na folk dos dos Dazkarieh também há lugar para o rock

À margem de fórmulas e rótulos, os Dazkarieh combinam a folk com o rock e a tradição oral portuguesa, juntando-lhe composições próprias e reinventado-a à luz dos seus gostos e à margem de folclorismos.

O resultado é uma alquimia ora expansiva, ora intimista, num cruzamento de hemisférios sonoros a que se juntam também instrumentos – adufe - e temas característicos da
Beira Baixa – “Senhora da Azenha”, “Meninas Vamos à Murta” ou “Cantiga Bailada” (a que eles chamaram “Eras Tão Bonita”) - ou grupos da região como os Velha Gaiteira, que a 10 de Outubro também subiram ao palco na décima edição do Entrelaços – Festival Internacional de Música Tradicional/Folk de Castelo Branco, evento onde os Dazkarieh já tinham estado em 2002.

“O grupo já passou por muitas fases, associadas mais ao gótico, à folk celta ou à world music, e neste momento sentimos que não fazemos parte de nenhum desses rótulos, mas que criámos um som único que é nosso, reitera Joana Negrão. E isso dá-nos a nossa própria identidade sonora”.

O grupo combina música tradicional e composições próprias

As mudanças na banda e o contacto com outras culturas reflectem-se nos trabalhos editados - das experimentações dos dois primeiros ao cruzamento de temas próprios e versões populares nos dois seguintes - e nas inquietações sonoras dos Dazkarieh, este ano uma das cem bandas candidatas aos nomeados para o
Best Portuguese Act nos MTV Europe Music Awards. Por sua vez, na Alemanha, em 2008, foram nomeados na categoria de melhor banda do ano num importante prémio folk.

Eles exploram influências urbanas, transportando este e outros géneros da chamada música do mundo
para ambientes mais contemporâneos como o rock. Forma de levarem essa cultura às gerações mais novas e ao público urbano.

“Temos sempre uma vertente mágica quando fazemos música. Na parte musical nunca fazemos concessões. É mesmo aquilo que sentimos e queremos fazer, recorda Vasco Casais. “Cada vez que vamos ao palco damos aquilo que queremos, e Dazkarieh é isso mesmo. Claro que nos interessa que as pessoas gostem da nossa música, mas estar bem connosco é a nossa prioridade”, esclarece o jovem, que actualmente diz ouvir sobretudo The Prodigy e The John Butler Trio.

Sons intimistas convivem com sonoridades efusivas

Viagem onde Vasco Ribeiro Casais
(nyckelharpa, bouzouki, gaita-de-foles, flauta), Luís Peixoto (bouzouki, bandolim, cavaquinho, sanfona), Joana Negrão (voz, gaita-de-foles, adufe, pandeireta) e André Silva (bateria) cruzam letras - grande parte do escritor Tiago Torres da Silva - e composições próprias com recriações de temas populares da tradição oral, à semelhança do que fazem formações como os Uxu Kalhus, Mandrágora, Chuchurumel, Diabo a Sete ou Lúmen. Mundos complementares com que se enche o caldeirão sonoro dazkariano, sinónimo da energia que o grupo procura transmitir ao público.

“Dazkarieh continua a ser uma banda que tem um lado muito expansivo, mas também muito intimista. Isso mantém-se desde o início, apesar de o som ter mudado, lembra Joana Negrão. O nome Dazkarieh foi uma mistura de sons que ia na linha de não criar nada que tivesse a ver com algo em específico, mas que simbolizasse o grupo e a música que o este faz. E hoje em dia, apesar de soar um pouco estranho, achamos que é uma coisa única, e Dazkarieh representa tudo isso”.

A experimentação é uma imagem de marca do grupo

O resultado poderá ser chamado de música urbana de fusão, imagem de marca daquele que é um dos mais conhecidos grupos do género em Portugal e uma das bandas portuguesas com maior presença no estrangeiro. Nos últimos anos, os Dazkarieh atravessaram a Europa, com destaque para a Alemanha, e países como Cabo Verde, Canadá, México, Malásia e Singapura, acabando por dar mais concertos no estrangeiro que em Portugal.

Dez anos de experimentação em que os Dazkarieh têm vindo a procurar e interligar
timbres, harmonias e ritmos por vezes inesperados, mesmo na sua paleta. Uma sonoridade cada vez mais eléctrica, mas onde há sempre lugar para o acústico.


Os Dazkarieh partilham o ritmo com os Velha Gaiteira
Discografia:
2002 – “Dazkarieh”
2004 – “Dazkarieh – Espanta Espíritos” (edição distribuída com o jornal Blitz + edição de luxo com capa em madeira)
2005 – “Dazkarieh” (compilação com três temas inéditos, distribuída com o livro “Eldest”, de Chistopher Paolini)
2006 – “Incógnita Alquímia” (edição normal + edição de luxo com capa em cortiça)
2009 – “Hemisférios”

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Drumming: percussões do mundo

Utilizando marimbas de diferentes materiais e formas, o grupo revela as origens e usos dados a este instrumento ancestral

Doze mãos tocam em simultâneo o mesmo instrumento
(imagens: Jorge Costa/Multipistas)

São marimbas de todas as formas e feitios e com elas se faz uma viagem pela história sonora do planeta. A proposta pertence aos Drumming, grupo de percussão que a 6 de Maio, no Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco, inaugurou a edição de 2009 do festival Primavera Musical.

Em palco, os seis instrumentistas (João Cunha, João Tiago Dias, Miquel Bernat, Nuno Aroso, Pedro Oliveira e Rui Rodrigues) recriam temas tradicionais da Tanzânia, Moçambique, Madagáscar, Indonésia, Japão, México ou Guatemala. Timbres e tons étnicos misturados com géneros que vão da música clássica ou erudita (teatro, ópera e bailado) à pop, rock, jazz e música electrónica.

“Queríamos um projecto onde pudéssemos mostrar todas as variedades de marimbas ou xilofones, os instrumentos como ícones em si, como um museu visual, mas também o que se faz com essa diferença de instrumentos, explica ao MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO Miquel Bernat, director artístico do grupo. Então fomos investigar as músicas de cada uma destas regiões. Foram oito anos em que fomos recolhendo instrumentos e aprendendo com eles”, conta o percussionista.

Miquel Bernat (topo), Tiago Dias (esquerda) e Rui Rodrigues (direita)

“Começámos com as tábuas no chão, que era o tipo de xilofone mais rudimentar, depois outro da Tanzânia, que já tinha as lâminas numa espécie de estrutura, esclarece Rui Rodrigues, um dos membros residentes dos Drumming. As timbilas, com as cabaças, começam a ganhar ressonância. A seguir apareceu a marimba mexicana, porque ainda tem um som que é conseguido por uma membrana de plástico”.

Materiais mais ou menos sofisticados que revelam as origens e os usos dados ao longo do tempo a um instrumento que terá surgido no sudoeste asiático há cerca de 600 anos.



Em palco, os músicos exploram os sons das marimbas

Da Indonésia (onde se destaca nas orquestras de gamelão), a marimba passou para África - do balafon da Guiné à mbila de Moçambique - e daí, no século XVI, para a América Central e América do Sul, sendo hoje o instrumento nacional da Guatemala. Por fora, o aspecto não é muito diferente, mas por dentro cada marimba tem uma personalidade sonora única.

“Os instrumentos têm todos lâminas de madeira, mas cada um tem um som característico, justifica João Tiago Dias. E isso levanta interesse não só nos mais pequenos, mas até nos mais adultos que não reconhecem essas coisas”, argumenta o jovem percussionista.

“Cada tribo afina os instrumentos de forma diferente, o que cria muita riqueza, já que numa extensão onde hajam vinte populações, podemos talvez encontrar vinte tipos de instrumentos”, conclui Miquel Bernat.


Nesta marimba rudimentar, cabaças amplificam os sons

Das mais rudimentares da África subsariana, com escala diatónica, às mais complexas, com vários teclados, a marimbra (do bantu “objectos achatados em que se bate”) é constituída por quatro a cem barras ou lamelas (normalmente de pau-santo ou pau-rosa), afinadas escavando a parte inferior e que habitualmente têm um tubo (de madeira ou PVC) ou cabaça para amplificar o som e manipular o timbre, o que também se faz percutindo-as com baquetas (revestidas de ou feltro) ou com as mãos. O resultado é uma palete sonora cuja diversidade quebra fronteiras na forma de fazer e ouvir música.

“Os xilofones da Tanzânia são tradicionalmente tocados por crianças, que também cantam outras melodias incríveis, descreve João Tiago Dias. “Claro que não há partituras nem registos de escrita musical. É tudo passado oralmente entre eles”.

“Em alguns, não existem partituras, e foram os etnomusicólogos que trabalham no campo que nos transmitiram CD’s, vídeos e apontamentos que eles fizeram, recorda Miquel Bernat. Foi um processo de quatro ou cinco anos em que fomos aprendendo oralmente”, garante o também fundador do Ictus Ensemble, de Bruxelas, e colaborador da companhia de dança contemporânea Rosas, de Anne Teresa de Keersmaeker.


Os Drumming utilizam marimbas rústicas e modernas

Retrato das tradições orais transpostas para um projecto pedagógico criado em 1999, fruto do primeiro curso superior de percussão no país, inaugurado cinco anos antes na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto.

Os Drumming procuram divulgar o repertório ligado à percussão erudita na cultura ocidental, juntamente com obras contemporâneas de compositores portugueses e estrangeiros.

O grupo colabora com formações como a Orquestra Gulbenkian, Orquestra Nacional do Porto, Remix-Ensemble ou Quarteto Montagnana e com solistas como Maria João ou Ivan Monighetti. Tem actuado em salas de Lisboa e Porto como a Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest, Teatro Camões, Centro Cultural de Belém, Teatro Nacional de São João ou Teatro Rivoli, e em festivais na Alemanha, Bélgica, Brasil, Espanha ou França.

Da soma de timbres resultam ritmos e géneros de todo o mundo


terça-feira, 31 de Março de 2009

World Music Charts Europe - Abril 2009

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Abril dos 192 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, as onze novas entradas no topo do painel (seis em estreia absoluta no WMCE, onde se incluem os portugueses Deolinda e a cabo-verdiana Lura, e cinco a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- COBA COBA, Novalima (Perú) - Cumbancha
mês passado: 3ºlugar

2º- SEYA, Oumou Sangaré (Mali) - World Circuit
mês passado: 1ºlugar
3º- TRES TRES FORT, Staff Benda Bilili (RD Congo) - Crammed
mês passado: 49ºlugar
4º- SENO, Ba Cissoko (Guiné) - Stern's
mês passado: 17ºlugar
5º-LUMEN, No Blues (Holanda, Israel) - CRS
estreia na tabela
6º- RADIO ROMANISTA, Kal (Sérvia) - Asphalt Tango Records
mês passado: 2ºlugar
7º- SONIDO AMAZÓNICO, Chicha Libre (EUA) - Crammed
mês passado: 15ºlugar
8º- CANÇÃO AO LADO, Deolinda (Portugal) - World Connection
estreia na tabela
9º- CALL MY NAME, Daby Touré & Skip McDonald (Mauritânia, EUA) - Real World
estreia na tabela
10º- AHORA, Almasäla (Espanha) - Ventilador
mês passado: 118ºlugar
11º- ZUCCHINI FLOWERS, Mimmo Epifani (Itália) - Finisterre
mês passado: 6ºlugar
12º- IN A TOWN CALLED ADDIS, Dub Colossus (Etiópia) - Real World
mês passado: 5ºlugar
13º- ECLIPSE, Lura (Portugal, Cabo Verde) - Lusafrica
estreia na tabela
14º- RECORD OF BROKEN HEARTS, Orient Expressions (Turquia) - Doublemoon
mês passado: 22ºlugar
15º- IMAM BAILDI, Imam Baildi (Grécia) - Pasio Turca
mês passado: 39ºlugar
16º- THE ROUGH GUIDE TO AFROBEAT REVIVAL, vários - World Music Network
estreia na tabela
17º- WELCOME TO MALI, Amadou et Mariam (Mali) - Universal/Because
mês passado: 4ºlugar

18º- MAAYO MEN, Malick Pathe Sow (Mauritânia, Senegal) - Muziek Publique
mês passado: 23ºlugar
19º- ROSA DE PAPEL, Marisa Sannia (Itália) - Felmay
estreia na tabela
20º- EL DORADO, 17 Hippies (Alemanha) - Hipster Records
mês passado: 16ºlugar

segunda-feira, 9 de Março de 2009

World Music Charts Europe - Março 2009

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Março dos 167 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, para além da manutenção de Cesária Évora, as sete novas entradas no topo do painel (oito em estreia absoluta no WMCE e uma a subir para os primeiros vinte lugares):

1º- SEYA, Oumou Sangaré (Mali) - World Circuit
estreia na tabela

2º- RADIO ROMANISTA, Kal (Sérvia) - Asphalt Tango Records
mês passado: 3ºlugar
3º- COBA COBA, Novalima (Perú) - Cumbancha
mês passado: 11ºlugar
4º- WELCOME TO MALI, Amadou et Mariam (Mali) - Universal/Because
mês passado: 2ºlugar

5º- IN A TOWN CALLED ADDIS, Dub Colossus (Etiópia) - Real World
mês passado: 1ºlugar
6º- ZUCCHINI FLOWERS, Mimmo Epifani (Itália) - Finisterre
estreia na tabela
7º- ZARARA, Amsterdam Klezmer Band (Holanda) - Essay
mês passado: 10ºlugar
8º- LONDON UNDERSOUND, Nitin Sawhney (Reino Unido) - Cooking Vinyl
mês passado: 20ºlugar
9º- MATER SABINA, Raffaello Simeoni (Itália) - Finisterre
estreia na tabela
10º- REBEL WOMAN, Chiwoniso (Zimbabué) - Cumbancha
mês passado:5ºlugar
11º- THE VODOUN EFFECT, Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou (Benim) - Analog Africa
mês passado: 9ºlugar
12º- KALI SULTANA, Titi Robin (França) - Naive
mês passado: 17ºlugar
13º- RÁDIO MINDELO, Cesária Évora (Cabo Verde) - Lusafrica
mês passado: 7ºlugar
14º- THE GIPSY R-EVOLUTION, Mad Manoush (Suiça) - Turicaphon
mês passado: 8ºlugar
15º- SONIDO AMAZÓNICO, Chicha Libre (EUA) - Crammed
estreia na tabela
16º- EL DORADO, 17 Hippies (Alemanha) - Hipster Records
estreia na tabela
17º- SENO, Ba Cissoko (Guiné) - Stern's
mês passado: 149ºlugar
18º- ARRIBA LA CUMBIA, vários - Crammed
mês passado: 16ºlugar
20º- FRANCOPHONIC, Franko & Le Tp Ok Jazz (RD Congo) - Stern's
mês passado: 4ºlugar

sábado, 31 de Janeiro de 2009

World Music Charts Europe - Fevereiro 2009

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Fevereiro dos 177 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, as nove novas entradas no topo do painel (cinco em estreia absoluta no WMCE e quatro a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- IN A TOWN CALLED ADDIS, Dub Colossus (Etiópia) - Real World
mês passado: 2ºlugar

2º- WELCOME TO MALI, Amadou et Mariam (Mali) - Universal/Because
mês passado: 4ºlugar

3º- RADIO ROMANISTA, Kal (Sérvia) - Asphalt Tango Records

estreia na tabela

4º- FRANCOPHONIC, Franko & Le Tp Ok Jazz (RD Congo) - Stern's

mês passado:
3ºlugar

5º- REBEL WOMAN, Chiwoniso (Zimbabué) - Cumbancha

mês passado:1ºlugar

6º- SHAKE AWAY, Lila Downs (México, EUA) - EMI
mês passado: 6ºlugar

7º- RÁDIO MINDELO, Cesária Évora (Cabo Verde) - Lusafrica
mês passado: 12ºlugar
8º- THE GIPSY R-EVOLUTION, Mad Manoush (Suiça) - Turicaphon
estreia na tabela

9º- THE VODOUN EFFECT, Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou (Benim) - Analog Africa
mês passado: 34ºlugar
10º- ZARARA, Amsterdam Klezmer Band (Holanda) - Essay
mês passado: 34ºlugar
11º- COBA COBA, Novalima (Perú) - Cumbancha
estreia na tabela

12º- THIS IS, Ramesh B. Weeratunga (Sri Lanka, Alemanha) - Bluebird Cafe Berlin Records

estreia na tabela

13º- ASSIKO, Gangbe Brass Band (Benim) - Contrejour
mês passado: 8ºlugar
14º- SUNI, Dotschy Reinhardt (Alemanha) - Galileo

estreia na tabela

15º- TANGER SESSIONS, Dissidenten and Jil Jilala (Alemanha, Marrocos) - Exil
mês passado: 7ºlugar
16º- ARRIBA LA CUMBIA, vários - Crammed
mês passado: 17ºlugar

17º- KALI SULTANA, Titi Robin (França) - Naive
mês passado: 31ºlugar
18º- THE RAVISHED BRIDE, Koçani Orkestar (Macedónia) - Wagram
mês passado: 19ºlugar

19º- KASBAH ROCKERS, Kasbah Rockers with Bill Maswell (Suiça, Marrocos) - Barbarity
mês passado: 5ºlugar

20º- LONDON UNDERSOUND, Nitin Sawhney (Reino Unido) - Cooking Vinyl
mês passado: 24ºlugar

sábado, 3 de Janeiro de 2009

World Music Charts Europe - Janeiro 2009

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Janeiro dos 142 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, para além da manutenção da liderança, as sete novas entradas no topo do painel (quatro em estreia absoluta no WMCE - entre elas a cabo-verdiana Cesária Évora - e três a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- REBEL WOMAN, Chiwoniso (Zimbabué) - Cumbancha
mês passado:1ºlugar


2º- IN A TOWN CALLED ADDIS, Dub Colossus (Etiópia) - Real World
estreia na tabela
3º- FRANCOPHONIC, Franko & Le Tp Ok Jazz (RD Congo) - Stern's
mês passado: 5ºlugar

4º- WELCOME TO MALI, Amadou et Mariam (Mali) - Universal/Because
mês passado: 93ºlugar
5º- KASBAH ROCKERS, Kasbah Rockers with Bill Maswell (Suiça, Marrocos) - Barbarity
mês passado: 19ºlugar
6º- SHAKE AWAY, Lila Downs (México, EUA) - EMI
mês passado: 3ºlugar

7º- TANGER SESSIONS, Dissidenten and Jil Jilala (Alemanha, Marrocos) - Exil
mês passado: 6ºlugar
8º- ASSIKO, Gangbe Brass Band (Benim) - Contrejour
mês passado: 16ºlugar
9º- MAAYO MEN, Malick Pathe Sow (Senegal) - Muziek Publique
mês passado: 145ºlugar
10º- MALI KOURA, Issa Bagayogo (Mali) - Six Degrees
mês passado: 4ºlugar
11º- IN THE HOUSE OF MIRRORS, Hector Zazou & Swara (França, Índia, Uzebequistão) - Crammed
mês passado: 2ºlugar
12º- RÁDIO MINDELO, Cesária Évora (Cabo Verde) - Lusafrica
estreia na tabela
13º- METAPHOR ZA MTAA, Goreala (Quénia, França) - CTR
estreia na tabela
14º- TUML=LEBN, The Klezmatics (EUA) - Piranha
mês passado: 8ºlugar
15º- VÉRITÉ D'AFRIQUE, Pierre Akendengue (Gabão) - Lusafrica
mês passado: 7ºlugar
16º- BAIRRO, Bonga (Angola) - Lusafrica
mês passado: 9ºlugar
17º- ARRIBA LA CUMBIA, vários - Crammed
mês passado: 18ºlugar

18º- HALAWOOD, U-Cef (Reino Unido, Marrocos) - Crammed
mês passado: 24ºlugar

19º- THE RAVISHED BRIDE, Koçani Orkestar (Macedónia) - Wagram
mês passado: 13ºlugar

20º- MOUNTAIN REBELS, Psarantonis & Ensemble Xylouris (Grécia) - Raki Rec
estreia na tabela

sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

World Music Charts Europe - Os melhores álbuns de 2008

Eis os álbuns que se destacam nas primeiras dez posições do TOP 150 relativo aos 913 discos nomeados em 2008 para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de):

1º- 3MA, Project 3MA - Rajery, Ballake Sissoko & Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
2º- 800, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
3º- Umalali, The Garifuna Women's Project (Belize, Guatemala) - Cumbancha
4º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
5º- MALI KOURA, Issa Gabayogo (Mali) - Six Degrees
6º- FRAGILE BEAUTY, Huong Thanh & Nguyen Le (Vietname, França) - ACT
7º- THE MANDÉ VARIATIONS, Toumani Diabaté (Mali) - World Circuit
8º- ALIVE, Sa Dingding (China) - Wrasse
9º- MALDITO TANGO, Melingo (Argentina) - Naive
10º- THE SOUL OF ARMENIA, Djivan Gasparyan (Arménia) - Network Median


A lusofonia está representada no topo deste painel com 15 álbuns: um português,
um angolano, dois moçambicanos, três cabo-verdianos e oito brasileiros:

18º- NEW DAWN - KU KHATA, Neco Novellas (Moçambique) – World Connection
20º- 1 REAL, DJ Dolores (Brasil) - Ziriguiboom
35º- LONJI, Tcheka (Cabo Verde) - Lusafrica
39º- AMÉRICA BRASIL O DISCO, Seu Jorge (Brasil) - Naive
58º- EL CORAZÓN TIENE TRES PUERTAS, Dulce Pontes (Portugal) - Resistência
64º- BALANÇO, Deodato Siquier (Moçambique, Dinamarca) - NCB
66º- SIM, Vanessa da Mata (Brasil) - Epic
84º- BADYO, Mário Lucio (Cabo Verde) - Lusafrica
100º- VIAJA, Teófilo Chantre (Cabo Verde) - Lusafrica
103º- TUDO AZUL, Velha Guarda da Portela (Brasil) - Red Circle
113º- BAIRRO, Bonga (Angola) - Lusafrica
117º- SONANTES, Sonantes Collective (Brasil) - Six Degrees
123º- SANTA REBELDIA, Célia Mara (Brasil) - Globalista
126º- MAFUA, Yamandu Costa (Brasil) - Acoustic Music Records
143º- LET YOUR XS BE YS, Tetine (Brasil, Reino Unido) - Soul Jazz

segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

World Music Charts Europe - Dezembro 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Dezembro dos 155 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, as nove novas entradas no topo do painel (três em estreia absoluta no WMCE e seis a subirem para os primeiros vinte lugares, entre elas o angolano Bonga):

1º- REBEL WOMAN, Chiwoniso (Zimbabué) - Cumbancha
mês passado:2ºlugar


2º- IN THE HOUSE OF MIRRORS, Hector Zazou & Swara (França, Índia, Uzebequistão) - Crammed
mês passado: 10ºlugar

3º- SHAKE AWAY, Lila Downs (México, EUA) - EMI
mês passado: 3ºlugar

4º- MALI KOURA, Issa Bagayogo (Mali) - Six Degrees
mês passado: 1ºlugar
5º- FRANCOPHONIC, Franko & Le Tp Ok Jazz (RD Congo) - Stern's
estreia na tabela
6º- TANGER SESSIONS, Dissidenten and Jil Jilala (Alemanha, Marrocos) - Exil
mês passado: 31ºlugar
7º- VÉRITÉ D'AFRIQUE, Pierre Akendengue (Gabão) - Lusafrica
mês passado: 80ºlugar
8º- TUML=LEBN, The Klezmatics (EUA) - Piranha
mês passado: 40ºlugar
9º- BAIRRO, Bonga (Angola) - Lusafrica
mês passado: 71ºlugar
10º- KALI SULTANA, Titi Robin (França) - Naive
estreia na tabela
11º- AT CARNEGIE HALL, Buena Vista Social Club (Cuba, EUA) - World Circuit
mês passado: 15ºlugar
12º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
mês passado: 6ºlugar
13º- THE RAVISHED BRIDE, Koçani Orkestar (Macedónia) - Wagram
mês passado: 19ºlugar

14º- THE VODOUN EFFECT, Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou (Benim) - Analog Africa
mês passado: 35ºlugar
15º- THE SICILIAN JAZZ PROJECT, Michael Occhipinti (Canadá, Itália) - True North
mês passado: 18ºlugar
16º- ASSIKO, Gangbe Brass Band (Benim) - Contrejour
estreia na tabela
17º- GURRUMUL, Geoffrey Gurrumul Yunupingu (Austrália) - Skinnyfish
mês passado: 8ºlugar

18º- ARRIBA LA CUMBIA, vários - Crammed
mês passado: 119ºlugar
19º- KASBAH ROCKERS, Kasbah Rockers with Bill Maswell (Suiça, Marrocos) - Barbarity
mês passado: 11ºlugar
20º- THE MIGHTY UPSETTER, Lee Scratch Perry (Jamaica) - On-U sound
mês passado: 9ºlugar

sábado, 1 de Novembro de 2008

World Music Charts Europe - Novembro 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Novembro dos 168 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, de novo a manutenção da liderança e as nove novas entradas no topo do painel (quatro em estreia absoluta no WMCE e cinco a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- MALI KOURA, Issa Bagayogo (Mali) - Six Degrees
mês passado: 1ºlugar

2º- REBEL WOMAN, Chiwoniso (Zimbabué) - Cumbancha
mês passado:84ºlugar
3º- SHAKE AWAY, Lila Downs (México, EUA) - EMI
mês passado: 5ºlugar
4º- MOTHER-EARTH! FATHER-SKY!, Huun-Huur-Tu (Rússia, Tuva) - Jaro Medien
mês passado: 6ºlugar
5º- REPREZENT, Gipsy.cz (República Checa) - Indies Records
mês passado: 3ºlugar
6º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
mês passado: 2ºlugar
7º- INFINITY, Warsaw Village Band (Polónia) - Jaro Medien
mês passado: 12ºlugar
8º- GURRUMUL, Geoffrey Gurrumul Yunupingu (Austrália) - Skinnyfish
mês passado: 17ºlugar
9º- THE MIGHTY UPSETTER, Lee Scratch Perry (Jamaica) - On-U sound
estreia na tabela
10º- IN THE HOUSE OF MIRRORS, Hector Zazou & Swara (França, Índia, Uzebequistão) - Crammed
mês passado: 34ºlugar
11º- KASBAH ROCKERS, Kasbah Rockers with Bill Maswell (Suiça, Marrocos) - Barbarity
mês passado: 84ºlugar
12º- FEZ CLUB, Figli di Madre Ignota (Itália) - Eastbook
estreia na tabela
13º- CA VA SE SAVOIR, Amadou Sodia (Guiné) - Sterns
mês passado: 15ºlugar

14º- LA BUENA VIBRA SOUND SYSTEM, Sidestepper (Reino Unido, Colômbia) - Palm
mês passado: 9ºlugar
15º- AT CARNEGIE HALL, Buena Vista Social Club (Cuba, EUA) - World Circuit
mês passado: 97ºlugar
16º- CONGOTRONICS 3: IN THE 7TH MOON, Kasai All Stars (RD Congo) - Crammed
mês passado: 4ºlugar
17º- MANY THINGS, Seun Kuti & Fela's Egypt 80 (Nigéria) - Tot ou Tard
mês passado: 8ºlugar
18º- THE SICILIAN JAZZ PROJECT, Michael Occhipinti (Canadá, Itália)
estreia na tabela
19º- THE RAVISHED BRIDE, Koçani Orkestar (Macedónia) - Wagram
estreia na tabela
20º- ADIEU LES COMPLEXES, Beata Palya (Hungria) - Naive
mês passado: 117ºlugar

sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Onde pára o MULTIPISTAS?

Muitos ouvintes e colaboradores habituais do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO já se terão perguntado porque razão o programa não voltou à antena no início de Setembro e porque o blogue não voltou a ter actualizações regulares.

Uma nova temporada é sempre altura privilegiada para revitalizar projectos já existentes. Contudo, incontornáveis obrigações profissionais têm-me forçado, semana após semana, a adiar o regresso à rádio e roubado o tempo necessário para que isso aconteça.

Quem acompanha de perto este programa certamente saberá que, entre sacrificar a qualidade do formato ou ter de reduzir a sua peridiocidade, sempre escolherei a segunda via.

Tranquilizem-se assim os ouvintes mais cépticos, já que os restantes sabem que este silêncio inesperado é coisa breve e que os sons do mundo continuam estrada fora. Até já!

quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

World Music Charts Europe - Outubro 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Outubro dos 168 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, a manutenção da liderança e as dez novas entradas no topo do painel (cinco em estreia absoluta no WMCE e cinco a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- MALI KOURA, Issa Bagayogo (Mali) - Six Degrees
mês passado: 1ºlugar

2º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
mês passado: 2ºlugar
3º- REPREZENT, Gipsy.cz (República Checa) - Indies Records
mês passado: 105ºlugar
4º- CONGOTRONICS 3: IN THE 7TH MOON, Kasai All Stars (RD Congo) - Crammed
mês passado: 10ºlugar
5º- SHAKE AWAY, Lila Downs (México, EUA) - EMI
mês passado: 14ºlugar
6º- MOTHER-EARTH! FATHER-SKY!, Huun-Huur-Tu (Rússia, Tuva) - Jaro Medien
estreia na tabela
7º- NINE HEAVENS, Niyaz (EUA, Irão) - Six Degrees
mês passado: 3ºlugar
8º- MANY THINGS, Seun Kuti & Fela's Egypt 80 (Nigéria) - Tot ou Tard
mês passado: 6ºlugar
9º- LA BUENA VIBRA SOUND SYSTEM, Sidestepper (Reino Unido, Colômbia) - Palm
mês passado: 16ºlugar
10º- AMÉRICA BRASIL O DISCO, Seu Jorge (Brasil) - Naive
mês passado: 33ºlugar
11º- FAKE NO MORE, La Cherga (Áustria) - Asphalt Tango
estreia na tabela
12º- INFINITY, Warsaw Village Band (Polónia) - Jaro Medien
estreia na tabela
13º- VAIMMU IVNNIT/PATTERNS OF THE HEART, Inga Juuso (Noruega) - DAT
mês passado: 56ºlugar
14º- 3MA, Project 3MA: Rajery, Ballake Sissoko, Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
mês passado: 7ºlugar
15º- CA VA SE SAVOIR, Amadou Sodia (Guiné) - Sterns
estreia na tabela
16º- SONGS OF GLORY - PIESNI CHWALY, Trebunie Tutki & Twinkle Brothers (Polónia, Jamaica) - Kiten Art
mês passado: 11ºlugar
17º- GURRUMUL, Geoffrey Gurrumul Yunupingu (Austrália) - Skinnyfish
mês passado: 8ºlugar
18º- PUERTO RICAN NIGHTS, Boom Pam (Israel) - Essay Recordings
mês passado: 21ºlugar
19º- MAFUA, Yamandu Costa (Brasil) - Acoustic Music Records
mês passado: 79ºlugar
20º- I AM EVE, Mahsa & Marjan Vahdat (Irão) - KKV
estreia na tabela

segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

World Music Charts Europe - Setembro 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Setembro dos 150 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, a nova liderança e as sete novas entradas no topo do painel (quatro em estreia absoluta no WMCE e três a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- MALI KOURA, Issa Bagayogo (Mali) - Six Degrees
mês passado: 91ºlugar 

2º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
mês passado: 2ºlugar
3º- NINE HEAVENS, Niyaz (EUA, Irão) - Six Degrees
mês passado: 1ºlugar
4º- EXTRAORDINARY RENDITION, Rupa & The April Fishes (EUA) - Cumbancha
mês passado: 4ºlugar
5º- CALCUTTA CHRONICLES, Debashish Bhattacharya (Índia) - Riverboat
mês passado: 11ºlugar
6º- MANY THINGS, Seun Kuti & Fela's Egypt 80 (Nigéria) - Tot ou Tard
mês passado: 7ºlugar
7º- 3MA, Project 3MA: Rajery, Ballake Sissoko, Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
mês passado: 3ºlugar
8º- GURRUMUL, Geoffrey Gurrumul Yunupingu (Austrália) - Skinnyfish
estreia na tabela
9º- DIRE DAWA, Minyeshu (Etiópia) - Rounder Europe
mês passado: 20ºlugar
10º- CONGOTRONICS 3: IN THE 7TH MOON, Kasai All Stars (RD Congo) - Crammed
mês passado: 16ºlugar
11º- SONGS OF GLORY - PIESNI CHWALY, Trebunie Tutki & Twinkle Brothers (Polónia, Jamaica) - Kiten Art
mês passado: 107ºlugar
12º- HAIKU, Yusa (Cuba) - Tumi
mês passado: 10ºlugar
13º- BELLE ÉPOQUE - Vol.2: MANSA, Rail Band (Mali) - Sterns
mês passado: 6ºlugar
14º- SHAKE AWAY, Lila Downs (México, EUA) - EMI
estreia na tabela
15º- MORE LOVE, Terne Chave (República Checa) - Indies Records
mês passado: 17ºlugar
16º- LA BUENA VIBRA SOUND SYSTEM, Sidestepper (Reino Unido, Colômbia) - Palm
estreia na tabela
17º- STUBBLE, The Blue Blokes 3 (Reino Unido) - Fledg'ling
mês passado: 9ºlugar
18º- INKA MBING, Gaga (Taiwan) - Trees Music
mês passado: 53ºlugar 
19º- UPMIXING, Warsaw Village Band (Polónia) - Jaro
mês passado: 5ºlugar
20º- ETHNOAMBIENT, vários (Croácia) - Kopito Records
estreia na tabela

sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Emissão #71 - 9 Agosto 2008

A 71ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 9 de Agosto, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 13 de Agosto, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (30 de Agosto e 3 de Setembro) nos horários atrás indicados.

Programa em que se destaca a rubrica
Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez edições do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Oriente Ocidental", Fadomorse (Portugal) - folk, world fusion

"Abaixo Esta Serra", Mandrágora (Portugal) - folk, jazz, rock

"Tarantainas De La Casa Sin Pared",
Biella Nuei (Espanha) - spanish folk

"Sangaré (Nikodemus Remix)",
Vieux Farka Touré (Mali) - afropop, blues

"Sportif",
Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop

"Benvinguts",
Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock

"Ganyo Maada",
Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music

"Hassan’s Mimuna",
Balkan Beat Box (Israel) & Hassan Ben Jaffar (Marrocos) e Har-El Shachal (EUA) - gypsy-punk, contemporary folk

"Malanka",
Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk

"Benedito",
Afroreggae (Brasil) & Manu Chao (França) - afro-reggae, samba, hip-hop

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

World Music Charts Europe - Agosto 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Agosto dos 148 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, a nova liderança e as onze novas entradas no topo do painel (seis em estreia absoluta no WMCE e cinco a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- NINE HEAVENS, Niyaz (EUA, Irão) - Six Degrees
estreia na tabela

2º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
mês passado: 11ºlugar
3º- 3MA, Project 3MA: Rajery, Ballake Sissoko, Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
mês passado: 4ºlugar
4º- EXTRAORDINARY RENDITION, Rupa & The April Fishes (EUA) - Cumbancha
mês passado: 3ºlugar
5º- UPMIXING, Warsaw Village Band (Polónia) - Jaro
mês passado: 13ºlugar
6º- BELLE ÉPOQUE - Vol.2: MANSA, Rail Band (Mali) - Sterns
estreia na tabela
7º- MANY THINGS, Seun Kuti & Fela's Egypt 80 (Nigéria) - Tot ou Tard
mês passado: 27ºlugar
8º- MALDITO TANGO, Melingo (Argentina) - Naive
mês passado: 5ºlugar
9º- STUBBLE, The Blue Blokes 3 (Reino Unido) - Fledg'ling
mês passado: 59ºlugar
10º- HAIKU, Yusa (Cuba) - Tumi
mês passado: 99ºlugar
11º- CALCUTTA CHRONICLES, Debashish Bhattacharya (Índia) - Riverboat
mês passado: 20ºlugar
12º- ALIVE, Sa Dingding (China) - Wrasse
mês passado: 2ºlugar
13º- WANDERLUST, Kiran Ahluwalia (Canadá, Índia) - World Connection
mês passado: 10ºlugar
14º- UMALALI: THE GARIFUNA WOMEN'S PROJECT, vários (Belize, Guatemala) - Cumbancha
mês passado: 1ºlugar
15º- ON THE BOARD, Baaba Maal (Senegal) - Palm Pictures
estreia na tabela
16º- CONGOTRONICS 3: IN THE 7TH MOON, Kasai All Stars (RD Congo) - Crammed
estreia na tabela
17º- MORE LOVE, Terne Chave (República Checa) - Indies Records
estreia na tabela
18º- AMERICA BRASIL O DISCO, Seu Jorge (Brasil) - Naive
mês passado: 61ºlugar
19º- SANTA REBELDIA, Célia Mara (Brasil) - Globalista
estreia na tabela
20º- DIRE DAWA, Minyeshu (Etiópia) - Rounder Europe
mês passado: 88ºlugar

sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Emissão #70 - 26 Julho 2008

A 70ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 26 de Julho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 30 de Julho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (16 e 20 de Agosto) nos horários atrás indicados.

"Comme Couché Dans Le Ciel", Red Cardell (França) - folk-rock
Os Red Cardell a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Comme Couché Dans Le Ciel”, tema retirado do álbum “Sans Fard”, sétimo trabalho do grupo, editado em 2003. Originários da cidade francesa de Quimper, eles são uma das mais conhecidas bandas tradicionais da Bretanha. O grupo, formado em 1992 e de que hoje fazem parte Jean-Pierre Riou, Jean-Michel Moal e Manu Masko, começou por tocar em bares. Surgidos no movimento do rock bretão, e à margem da nova vaga celta, os Red Cardell decidiram então fundir as danças e os cantos tradicionais da Bretanha com ritmos da Europa de Leste, da América do Sul ou do norte de África. Uma viagem em que géneros como a folk berbere e ucraniana, o tango, o reggae, a dub, o funk ou o java se juntam com influências diversas que vão do punk rock anglo-saxónico ao rap e ao techno. Geografias sonoras à mistura com textos poéticos em inglês e francês, os quais abordam temas recorrentes no blues, na chanson française ou no gwerz (canto bretão a capella onde se aborda o quotidiano). Um ambiente festivo multi-étnico que tem por base instrumental o acordeão, a bombarda bretã, a flauta, as guitarras acústica e eléctrica, a bateria ou os sintetizadores.

"Pisa Fronteira", Júlio Pereira (Portugal) - folk, acoustic, fusion
A viagem pelas músicas do mundo prossegue com Júlio Pereira e "Pisa Fronteira", tema extraído do álbum “Geografias”, lançado em 2007. Conjunto de inéditos instrumentais baseados em memórias de viagens e experimentações sonoras, resultado da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola braguesa, bouzouki e sintetizadores. Depois de muitos anos ligado ao cavaquinho, Júlio Pereira volta-se agora para outro cordofone pequeno, o bandolim, instrumento que o acompanha desde a infância. São sons tradicionais portugueses à mistura com ritmos africanos e orientais, num trabalho que conta com as vozes de Sara Tavares, Isabel Dias (grupo minhoto Raízes) e Marisa Pinto (Donna Maria), bem como Miguel Veras na viola acústica e guitarra e Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Júlio Pereira estreou-se no rock com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. Da inovação musical dos anos 60/70, à revitalização dos instrumentos tradicionais, a partir dos anos 80/90 Júlio Pereira associou-os a soluções acústicas contemporâneas. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o multi-instrumentista, compositor e produtor tem colaborado com músicos como Carlos do Carmo, Amélia Muge, Pedro Burmester, Eugénia Melo e Castro, Zeca e João Afonso, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé ou Fausto, bem como os The Chieftains, Pete Seeger, Kepa Junkera, Xosé Manuel Budiño, Uxia ou Na Lúa. Em Agosto, Júlio Pereira estará no Festival Intercéltico de Moaña, na Galiza (dia 2), e no Tenby Folk Festival, no Reino Unido (dia 25). Seguem-se os concertos em Setembro na Festa do Avante, no Seixal (dia 6), e no Teatro Viriato, em Viseu (dia 13).

"Tu Gitana", Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk, folk-rock
No seu regresso ao programa, os Luar Na Lubre apresentam-nos “Tu Gitana”, tema que encerra o álbum “Saudade”, editado em 2006. Composição tradicional de Zeca Afonso, onde participam nomes da música latino-americana como Pablo Milanés. Com uma dezena de trabalhos editados, estes embaixadores da folk celta contemporânea defendem a cultura, a tradição e a música galegas, sem no entanto fecharem portas às influências externas. No seu penúltimo álbum, o grupo da Corunha aposta na música proveniente da América do Sul. Bieito Romero, Patxi Bermúdez, Xulio Varela e Xan Cerqueiro são os quatro elementos que restam da banda original, criada em 1986 e que dez anos depois saltava para a ribalta internacional com o apadrinhamento de Mike Oldfield no seu disco “Voyager”. Neste trabalho, os Luar na Lubre apresentam a vocalista que os acompanha há cerca de três anos, a portuguesa Sara Vidal (que já tinha participado no álbum “Paraíso”), em substituição de Rosa Cedrón. Um disco onde resgatam velhas melodias e harmonias melancólicas, bem como poemas de García Lorca e de autores galegos da emigração, utilizando-os em temas que falam de nostalgia, do exílio e da saudade. Tudo numa homenagem à Galiza que chegou à América Latina e se fundiu com a cultura daquele continente, sem no entanto deixar de parte as suas raízes celtas. Em Julho, os Luar na Lubre rumam até Rovinj, na Croácia (dia 26) e Montescudaio, em Itália (dia 27). Já em Agosto, o grupo vai estar no Festival Intercéltico de Sendim, em Miranda do Douro (dia 1), em Zas, na Corunha (dia 2), em Lalín (dia 9) e Pontevedra (17 Agosto), e em Tatihou, na França (dia 21). Finalmente, em Setembro, o grupo ruma até Chinchón, na comunidade de Madrid (dia 13).

"Sportif", Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
A jornada continua com Youssou n’Dour e "Sportif", tema extraído do álbum “Rokku Mi Rokka” (Apanhar e Levar), lançado em 2007. Trabalho onde o mais famoso cantor senegalês se aproxima dos cantos religiosos sufi, das percussões dos griots e dos sons do norte do Senegal, num apelo à paz, tolerância e valorização do continente africano. No final dos anos 70, o autor, intérprete e músico, que aprendeu a cantar com a mãe, formava com o cantor El Hadj Faye os L'Etoile de Dakar, e em 1981 os Le Super Étoile de Dakar. Cruzando os ritmos sincopados do mbalax senegalês com a pop internacional, numa fusão que inclui o jazz, a soul e arranjos afro-cubanos, o “rouxinol de Dakar” depressa cativou o público ocidental sem no entanto abdicar das suas raízes, conquistando o estatuto de embaixador da música africana. Nos seus temas em wolof e inglês, Youssou N’Dour retrata o mundo da pobreza, da emigração ou os valores culturais africanos. Um dos mais conhecidos a nível global é “Seven Seconds”, gravado com Neneh Cherry. Através da música, Youssou N'Dour pretende quebrar o silêncio das crianças que sofrem e abraçar as causas humanitárias. Da fundação com o seu nome aos concertos em benefício da Amnistia Internacional, o embaixador da boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF tem por isso mesmo colaborado com músicos como Peter Gabriel, Axelle Red, Sting, Alan Stivell, Bran Van 3000, Wyclef Jean, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Branford Marsalis, Ryuichi Sakamoto ou o camaronês Manu Dibango.

"Jirim", Orchestra Baobab (Senegal) - afropop, afrobeat, salsa
A Orchestra Baobab traz-nos “Jirim”, tema retirado do álbum “Made In Dakar”, editado em 2007. Segundo trabalho das estrelas senegalesas da afropop, cinco anos depois da gravação que marcou o regresso da banda após duas décadas de inactividade. Um disco que leva o grupo de volta às suas raízes clubísticas e às actuações de rua, mais uma vez produzido por Nick Gold e onde se destaca a participação de Youssou N’Dour. Neste álbum, a Orchestra Baobab, que a 24 de Julho esteve no Festival de Músicas do Mundo de Sines, recupera de novo o espírito de fusão que a celebrizou. São novas canções à mistura com sucessos dos anos 70, retirados de uma discografia feita de duas dezenas de álbuns. Recorde-se que o grupo se dissolveu em 1987, depois de o percussivo mbalax se ter tornado mais popular do que a sua melódica pop senegalesa. Surgidos em Dakar em 1970 na inauguração do Baobab Club, a banda, cujo nome se refere à majestosa árvore da savana, foi formada em grande parte por veteranos da Star Band. Balla Sidibe, Rudy Gomis, Ndiouga Dieng, Assane Mboup, Medoune Diallo, Barthélemy Attisso, Issa Cissoko, Thierno Koite, Latfi Ben Geloune, Charlie N'Diaye e Mountaga Koite misturam sons tradicionais da África Ocidental com a música cubana e caribenha (son, pachanga, salsa ou bolero) e com a pop ocidental. As melodias crioulas portuguesas, do Togo e Marrocos, a rumba congolesa ou o high life ganês são então adaptados às influências wolof da cultura griot do norte do Senegal, às harmonias mandinga da região de Casamance e às percussões do sul do país.

"Dalida", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock
Seguem-se os israelitas Boom Pam com “Dalida”, tema que faz parte do álbum do mesmo nome da banda, editado em 2006. Formados três anos antes, altura em que tocavam em clubes e casamentos, os Boom Pam foram buscar a identidade ao cover da canção grega que tocaram com a estrela de rock Berry Sakharof, êxito que ocupou as tabelas israelitas em 2004, à semelhança do que acontecera em 1969 com o cantor grego Aris San, emigrado em Tel Aviv. Os guitarristas Uzi Feinerman e Uri Brauner Kinrot começaram por experimentar sons orientais, até que se lhes juntaram a tuba de Yuval “Tubi” Zolotov e as percussões de Dudu Kohav. Depois do sucesso alcançado no Médio Oriente, eles chegaram ao público europeu, graças sobretudo ao DJ Shantel, que co-produziu o seu primeiro lançamento internacional e os descobriu numa das suas visitas a Tel Aviv, convidando-os então a participarem em vários espectáculos no seu Bucovina Club em Berlim, Frankfurt, Colónia e Zurique. Onde quer que actuassem, os Boom Pam deixavam o público em brasa com a sua mistura enérgica de rock do Médio Oriente com sons dos Balcãs, alguma irreverência e muito groove. Fugindo ao cliché do klezmer, geralmente associado à música judaica, eles criam um cocktail dos diferentes estilos que habitualmente se cruzam em Tel Aviv. Uma fusão única de estilos mediterrânicos, balcânicos e gregos, combinados com melodias judaicas, surf rock e música circense..

"Ladino Song", Oi Va Voi (Reino Unido) - jewish music, electro, world fusion
Os Oi Va Voi (“Oh, Meu Deus!” em hebraico) trazem-nos “Ladino Song”, tema extraído do álbum “Laughter Through Tears”, lançado em 2003. A banda radicada em Londres, cidade onde a herança cultural judaica se combina com os actuais ritmos de dança, apresenta composições próprias e uma mistura de sons globais, originários sobretudo da Europa de Leste e do Mediterrâneo. No final da década de 1990, cinco músicos das comunidades judaicas da capital inglesa decidiram juntar-se num projecto comum, servindo-se de percursos distintos que abrangem não só a música klezmer mas também o flamenco, a folk húngara, o jazz, o hip-hop, o rock ou o drum n'bass. Ultrapassadas as atribulações do passado, actualmente a banda é formada por Nik Ammar, Bridgette Amofah, Josh Breslaw, Matt Jury, Steve Levi, David Orchant e Anna Phoebe. Conhecidos pelas suas actuações ao vivo, os Oi Va Voi, que a 10 de Agosto vão estar no Festival Sons do Atlântico, no Algarve, combinam de forma única a música tradicional dos judeus sefarditas e ashkenazi (judeus europeus) das shtetl (povoações onde estes viviam) e dos ciganos transilvanos com a dub, a breakbeat ou a música urbana londrina. Influências tradicionais do oriente europeu que contam com instrumentos como o clarinete, o violino, o trompete, a guitarra, a bateria, o baixo e a melódica, e que são actualizadas com arranjos electrónicos e letras grande parte das vezes em ladino (língua semelhante ao castelhano, falada pelas comunidades sefarditas em Espanha, nos Balcãs, Próximo Oriente e norte de Marrocos).

"Gwyra Mi", Ramiro Musotto (Argentina) - samba, reggae, electronica
Despedimo-nos com Ramiro Musotto, que nos traz “Gwyra Mi”, canção extraída do seu segundo álbum a solo “Civilizacao & Barbarye”, lançado este ano. Adaptação de um tema da tribo guarani Tenondé Porã, onde as vozes das crianças indígenas do Morro da Saudade, no sul de São Paulo, se misturam com excertos de um discurso do rebelde mexicano que lidera o Exército Zapatista de Liberação Nacional. Trabalho baptizado com o nome do ensaio político de Domingo Faustino Sarmiento, onde participam músicos do Brasil, Cuba, Argentina, Estados Unidos, Irão ou Suécia como Glauber Rocha, Gato Barbieri, Lulu Santos, Lelo Zanetti, Lucas Santtana, Chico César, Léo Leobons, Arto Lindsay, Santiago Vazquez, Rostam Miriashari ou Sebastian Notini. São ritmos tribais e cantos indígenas, da capoeira aos rituais do candomblé, todos eles transformados num samba-reggae electrónico, a que se juntam berimbaus com diferentes afinações, os pífaros, a kanjira (membrafone da família da pandeireta, típico do sul da Índia) e a mbira (idiofone de lamelas, também conhecido por kalimba, utilizado em cerimónias religiosas). O compositor, produtor e percussionista argentino cruza o samba e a pop brasileira com os ritmos africanos e a música electrónica. Uma aposta clara na diversidade rítmica, mas também nas letras que incidem nos problemas sociais da América Latina. Nascido em Bahía Blanca, na Patagónia, Ramiro Musotto começou a tocar em orquestras sinfónicas. Depois de uma breve passagem por São Paulo, o músico mudou-se para Salvador da Baía, onde se especializaria em instrumentos como o berimbau e o timbal baiano (tambor cónico de Madeira ou metal). Para além de tocar com a orquestra Sudaka, Ramiro Musotto tem vindo a colaborar com artistas brasileiros e argentinos como Carlinhos Brown, Sérgio Mendes, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Gilberto Gil, Marisa Monte, Virginia Rodriguez, Maria Bethânia, Zeca Baleiro ou Gal Costa. .

quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Emissão #69 - 12 Julho 2008

A 69ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 12 de Julho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 16 de Julho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (2 e 6 de Agosto) nos horários atrás indicados.

"American Wedding", Gogol Bordello (EUA) - gypsy punk, rock
Os Gogol Bordello inauguram mais uma emissão, desta feita com “American Wedding”, tema onde eles descrevem um casamento americano algo infeliz, onde não há vodka nem arenque marinado. Música retirada do álbum “Super Taranta!”, quarto trabalho do grupo, editado em 2007. Tal como o escritor Nikolai Gogol introduziu a cultura ucraniana na sociedade russa, os Gogol Bordello procuram levar os sons ciganos para a música anglo-saxónica. Surgido em 1998 com o nome de Hutz & The Béla Bartóks, este colectivo de emigrantes oriundos da Ucrânia, Rússia, Israel ou Etiópia, criou o cabaret gypsy punk, amálgama burlesca que eles dizem ser uma espécie de rock n’roll cigano. Tudo começou com o interesse do ucraniano Eugene Hütz pela contracultura musical do ocidente, de Jimi Hendrix aos Sonic Youth, paixão que o fez deixar Kiev e viajar pela Polónia, Hungria, Áustria e Itália. Em 1993, o jovem instalou-se em Nova Iorque, onde começou por remisturar os sons da música cigana dos Balcãs e da Europa de Leste com a dub e o raï argelino. Ritmos frenéticos e festivos a que hoje, com os Gogol Bordello – de que fazem também parte Eliot Ferguson, Oren Kaplan, Sergey Ryabtsev, Yuri Lemeshev, Pamela Racine, Elizabeth Sun e Thomas Gobena -, se juntam o rockabilly ou o ska. O resultado é um punk-rock incendiário, feito da ligação entre violino, acordeão, guitarras acústica e eléctrica, baixo e bateria. Em palco, fala-se de política, religião e sexo, sempre com humor e muita dança à mistura. No currículo, a banda conta com as participações no filme “Everything Is Iluminated” (2005), de Liv Schreiber, e em “Filth & Wisdom” (2008), de Madonna, bem como no projecto J.U.F., em conjunto com os Balkan Beat Box. Se a 10 de Julho não conseguiu ver os Gogol Bordello no Optimus Alive Festival de Lisboa (o concerto foi transmitido em directo pela SIC Radical), em alternativa pode fazê-lo em Agosto nas localidades espanholas de Gijón, nas Astúrias (dia 12), e Vilagarcía de Arousa, na Galiza (dia 14).

"Pasapeanas", Biella Nuei (Espanha) - spanish folk
A viagem pelas músicas do mundo continua com os Biella Nuei e "Pasapeanas", tema extraído do álbum “Sol d’Iberno”, lançado em 2006. Melodia bailada em Gallur, na província de Saragoça, durante a procissão de Santo António de Pádua e de São Pedro. Parte de um trabalho produzido por Juan Alberto Arteche, e que encerra a triologia iniciada com “Las Aves Y Las Flores” (1994) e “Solombra” (1998), abrindo portas a uma fase mais criativa e menos etnocêntrica no percurso deste grupo fundado por Luís Miguel Bajén na década de 1980. Álbum optimista e alegre, onde os Biella Nuei se abrem às percussões das culturas andaluza ou latina, e que conta com a participação de músicos como Eliseo Parra ou La Ronda de Boltaña. Nos primeiros anos, o septeto centrou-se no estudo e divulgação da tradição oral aragonesa, no desenvolvimento de repertório próprio e no fabrico de instrumentos como a gaita de boto, o saltério, o pífaro ou a dulzaina. Hoje permanece a variedade de instrumentos, melodias e ritmos tradicionais religiosos ou pagãos daquela região (jotas, pasacalles, tarantainas ou passeíllos), mas a free folk da banda, mestiçagem étnica sempre ligada aos movimentos sociais (entre eles os neorurais), cruza-se com outras culturas, deixando-se influenciar, entre outros géneros, pelos blues, pela rumba, pela choutiça ou pela soul cubana. Nas suas peregrinações sonoras, os Biella Nuei, que em palco se apresentam ainda com uma formação mais pequena - os Bufacalibos -, têm vindo a tocar com Carlos Núñez, Cristina Pato, Chico Sánchez Ferlosio, Kepa Junkera, Mauricio Martinotti, The Oysterband ou os Gwendal.

"Aguas Vertientes", La Musgaña (Espanha) - spanish folk
No seu regresso ao programa, os La Musgaña trazem-nos “Aguas Vertientes”, tema que faz parte do álbum “Temas Profanos”, editado em 2003. O sexto disco do grupo conta com as colaborações de Carmen Paris, Joaquín Díaz, David Mayoral e Pablo Martín. Em 1986, Enrique Almendros, até então intérprete de música celta, José María Climent e Rafael Martín decidiram formar um grupo centrado na tradição musical da meseta castelhana. Ainda nesse ano, juntaram-se-lhes o flautista Jaime Muñoz e o baixista Carlos Beceiro, únicos elementos que hoje permanecem no quinteto composto ainda por Diego Galaz, Jorge Arribas e Sebastián Rubio. Das melodias de dança às canções de amor, passando pela música para casamentos, os La Musgaña apresentam-nos uma ampla visão musical de uma zona marcada pela herança europeia, africana e mediterrânica. Por entre os temas evocativos destacam-se os ofertórios religiosos, as charradas, ajechaos e charros de Salamanca e Zamora, os bailes corridos de Ávila, os pindongos de Cáceres e as danças, aires e canções de León ou Burgos, ou as jotas, rogativas, dianas e villancicos de Madrid, Segovia e Valladolid. Uma celebração da música tradicional espanhola, à mistura com influências ciganas, mouriscas e celtas, em que os ritmos hipnóticos se constroem com toda uma gama de instrumentos tradicionais (gaita charra, gaita sanabresa, flauta, tamboril, cistro ou sanfona), étnicos (cajón, tar, krakeb, pandeiro iraniano, derbouka, bouzouki, req, sabar, tinajas, bendir ou marímbula) e modernos (clarinete, acordeão diatónico, saxofone soprano, baixo ou violino).

"Ya Rayah", Rachid Taha (Argélia) - chaâbi, raï, rock, punk, techno
A jornada continua com Rachid Taha e "Ya Rayah", original do argelino Dahamane El Harrachi sobre a alienação dos emigrantes, extraído do álbum “Diwan”, lançado em 1998. São arranjos e interpretações de temas magrebinos e árabes, numa homenagem às melodias e canções de músicos da sua infância como Blaoui Houari, estrela argelina da década de 1950, ou Mohamed Mazouni. Clássicos actualizados num trabalho produzido por Steve Hillage. Rachid Taha nasceu na cidade costeira de Oran, na Argélia, mas desde muito cedo que emigrou com a família para França. Alsácia e Vosges foram os primeiros destinos do músico e compositor residente em Paris, cidade onde começou a sua carreira a solo. Em 1981, enquanto vivia em Lyon, Rachid Taha conheceu Mohammed e Moktar Amini. Foi então que os três, juntamente com Djamel Dif e Eric Vaquer, formaram a banda de rock “Carte de Séjour” (“autorização de residência”), nome que se refere à crescente movimentação dos descendentes dos imigrantes argelinos, que na época começavam a reclamar por um maior espaço de intervenção na sociedade francesa. Popular e polémico, Rachid Taha mistura o rock urbano com a música tradicional do Oriente, cantando em árabe. Nas suas influências destacam-se o chaâbi e o raï, géneros que cruzou não só com sons africanos e europeus, mas também com o punk ou o techno. Rachid Taha não deixa ninguém indiferente, já que ao longo de mais de duas décadas se tem batido pela defesa da democracia e da tolerância e pela luta contra o racismo e todas as formas de exclusão, sem esquecer a guerra contra a pobreza, o medo e os fundamentalismos árabes.

"Bèlomi Bènna", Mahmoud Ahmed (Etiópia) - eskeusta, afropop, ethiopian jazz
No seu regresso ao programa, Mahmoud Ahmed apresenta-nos “Bèlomi Bènna”, melancólica canção de amor retirada do álbum “Éthiopiques 7 – Erè Mèla Mèla”, editado em 1999. Um tema com duas partes ("Erè Mèla Mèla" e "Mètché Nèw"), originalmente lançado em 1975, e que integra uma colectânea retrospectiva sobre a obra de diversos cantores e instrumentistas da música popular e tradicional da Etiópia e Eritreia, entre eles Alemayehu Eshete, Asnaketch Worku, Mulatu Astatke e Tilahun Gessesse. Nascido em Adis Abeba, onde ainda vive, Mahmoud Ahmed é um cantor de origem gurage, etnia do sudoeste da capital etíope, conhecida pelas suas danças tradicionais exuberantes. O músico, um dos mais conhecidos representantes do jazz daquele país, estreou-se nos anos 60 no Arizona Club, cantando com a banda do capitão Girma Hadgue. Mais tarde, integrou a banda da Guarda Imperial de Haile Selassie, tendo vindo a colaborar com formações como Roha Band, Musicians Titesh, Dahlack Band ou Idan Raichel Project. Com uma voz multitímbrica, Mahmoud Ahmed é o rei da eskeusta (“êxtase”), género que cruza os ritmos complexos e repetitivos da música tradicional amárica com a pop, o free jazz, a soul, o funk, o rhythm & blues ou a dub. Uma mistura de sabor indiano, acompanhada quase sempre por sons ora eléctricos, ora acústicos, onde é possível encontrar instrumentos como o krar (cordofone de cinco ou seis corda, semelhante à lira, característico da Eritreia e da Etiópia), a guitarra e o bandolim. São canções de amor cujas letras escondem desabafos políticos, imagem de uma carreira feita de persistência quanto baste. Grande parte da extensa discografia do músico foi gravada durante os anos 70, uma actividade interrompida com a repressão política de Mengistu e dos governos seguintes. Há três décadas que a lenda viva da Etiópia não edita um disco de originais, e há quase vinte que não compõe. Contudo, e ainda que pouco conhecido no ocidente, Mahmoud Ahmed e a sua banda tocam ocasionalmente junto dos seus compatriotas exilados na Europa e nos Estados Unidos.

"Johda Mua", Sanna Kurki-Suonio (Finlândia) - finnish folk
Na sua estreia no programa, Sanna Kurki-Suonio traz-nos “Johda Mua” (Leva-me), tema extraído do álbum “Musta” (“negro”, em finlandês, mas também abreviatura de minusta, o que significa "de mim"), seu primeiro trabalho a solo, lançado em 1998. Disco onde a cantora e compositora finlandesa, tocadora de kantele (versão finlandesa do zither, da família da cítara), recupera a tradição vocal do seu país e daquele instrumento, explorando técnicas e estilos modernos e cruzando instrumentação acústica (acordeão, guitarra acústica, guitarra baixo, violoncelo, trompete e percussões) e electrónica (teclados). Produzido por Martyn Ware, produtor de artistas como Tina Turner e Chaka Khan, este álbum reúne as participações de Eicca Toppinen, Pekka Tegelman, Tapio Aaltonen, Seppo Kantonen e Otto Donner. Nascida em 1966, Sanna Kurki-Suonio, que se serve da música para expressar o que não pode ser dito verbalmente, aprendeu a cantar antes de pronunciar as primeiras palavras. Fundadora dos Loituma, quarteto finlandês que combina a tradição vocal daquele país com o kantele, durante quase uma década Sanna acompanhou os suecos Hedningarna, tocando com a banda por todo o mundo e participando em três dos seus trabalhos – “Kaksi” (1992), “Trä” (1994) e “Karelia Visa” (1999). Seguiu-se uma digressão nos Estados Unidos e Europa com o sueco Magnus Stinnerbom, o concerto de celebração dos 150 anos do Kalevala, o épico finlandês, ao lado do baixista Aki Ville Yrjänä, e a participação em trabalhos de músicos noruegueses e finlandeses como Ismo Alanko, Pekka Lehti, Hannu Saha, Transjoik, Frode Fjellheim ou Tellu Turkka. Entretanto, à discografia de Sanna Kurki-Suonio somam-se mais dois discos - “Kainuu” (2004) e “Huria” (2007) –, desta feita com a também tocadora de kantele Riitta Huttunen. Enquanto que o primeiro recupera canções e hinos tradicionais finlandeses da região de Kainuu, o segundo explora a folk da Carélia e apresenta melodias originais, contando com a participação adicional do multinstrumentista Jari Lappalainen.

"Skåne", Hedningarna (Suécia) - swedish folk, ethno-punk
Seguem-se os Hedningarna com “Skåne”, tema que faz parte do álbum “Hippjokk”, editado em 1997. Trabalho onde o ressurgido ensemble musical, agora já sem o canto yoik/juoiggus das finlandesas Sanna Kurki-Suonio e Anita Lehtola, tem por convidados o joiker finlândes Wimme Saari, o guitarrista norueguês Knut Reiersrud, Johan Liljemak, Ola Bäckström e Ulf Ivarsson. Das incursões pelo mundo do rock à pop e ao techno, os Hedningarna (em sueco, hedning significa "pagão") misturam sonoridades contemporâneas com elementos da música tradicional nórdica. Temas que a banda, formada em 1987 e da qual hoje fazem parte Anders Skate Norudde, Hållbus Totte Mattsson, Christian Svensson e Magnus Stinnerbom, reinterpreta de forma livre e inventiva, juntando-lhe ainda percussões acústicas e electrónicas. Para isso, servem-se de antigos instrumentos de vários países do norte da Europa, e não só, como a moraharpa (versão medieval da nyckelharpa, harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas), a stråkharpa (lira nórdica de arco), o lagbordun, o hummel (cordofone sueco, da família da cítara e semelhante ao norueguês langeleik), a mandora (cordofone da família do alaúde), o oud (alaúde árabe), a sanfona, a guitarra barroca, a flauta transversal, o violino, a gaita sueca, o acordeão, o didgeridoo e o pandeiro.

"Seeing Hands", Dengue Fever (EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop
A viagem chega ao fim com os Dengue Fever, que nos trazem “Seeing Hands”, tema extraído do álbum “Venus On Earth”, lançado este ano. Terceiro trabalho do grupo californiano, feito dos habituais covers de khmer rock (entre os artistas revisitados destacam-se Sinn Sisamouth ou Ros Sereysothea), mas a que agora se juntam os originais e as canções em inglês. Formados pelos irmãos Ethan e Zac Holtzman, os Dengue Fever surgiram em 2001. A inspiração sonora veio de uma viagem feita quatro anos antes ao Cambodja, altura em que um amigo de ambos contraiu a doença tropical que acabaria por baptizar o grupo, encabeçado pela cambodjana Chhom Nimol, e a que se juntam Senon Williams, David Ralicke e Paul Smith. Aqui a única febre é mesmo a da pop e do rock que dominou as rádios e as jukeboxes do Cambodja nos anos 60, sons influenciados pelo rock americano e pelas primeiras bandas de garagem do vizinho Vietname. São versões renovadas do surf e do garage rock psicadélicos, sempre acompanhadas pela guitarra e guitarra baixo, saxofone, órgão electrónico e percussões. Ritmos que o sexteto de Los Angeles cruza com amostras das bandas sonoras de Bollywood, a soul, o funk e o jazz etíopes, o rhythm & blues americano ou a folk cambodjana. O resultado é uma mistura de sons locais com rock de todo o planeta. Retrato patente aliás no documentário “Sleepwalking Through the Mekong”, fruto da primeira visita da banda ao Cambodja, em 2005, numa digressão bem ao estilo dos pioneiros do rock naquele país asiático. Em Agosto, os Dengue Fever vão estar em Portugal, primeiro no Festival Internacional de Música de Viana do Castelo (dia 15) e depois no Festival de Músicas do Mar, na Póvoa do Varzim (dias 21 e 29).

terça-feira, 1 de Julho de 2008

World Music Charts Europe - Julho 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Julho dos 180 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, a manutenção da liderança e as dez novas entradas no topo do painel (três em estreia absoluta no WMCE e sete a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- UMALALI: THE GARIFUNA WOMEN'S PROJECT, vários (Belize, Guatemala) - Cumbancha
mês passado: 1ºlugar

2º- ALIVE, Sa Dingding (China) - Wrasse
mês passado: 4ºlugar
3º- EXTRAORDINARY RENDITION, Rupa & The April Fishes (EUA) - Cumbancha
mês passado: 91ºlugar
4º- 3MA, Project 3MA: Rajery, Ballake Sissoko, Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
mês passado: 2ºlugar
5º- MALDITO TANGO, Melingo (Argentina) - Naive
mês passado: 3ºlugar
6º- DESERT BLUES 3, vários - Network
mês passado: 5ºlugar
7º- IN THE NAME OF LOVE - AFRICA CELEBRATES U2, vários - Shout/Wrasse
mês passado: 9ºlugar
8º- THE SYLIPHONE YEARS, Balla et ses Balladins (Guiné) - Sterns
mês passado: 6ºlugar
9º- AFRICAN SCREAM CONTEST, vários - Analog Africa
mês passado: 8ºlugar
10º- WANDERLUST, Kiran Ahluwalia (Canadá, Índia) - World Connection
mês passado: 10ºlugar
11º- TCHAMANTCHE, Rokia Traoré (Mali) - Universal
mês passado: 23ºlugar
12º- WATCHA PLAYIN, Brooklyn Funk Essentials (EUA) - Tropical
mês passado: 13ºlugar
13º- UPMIXING, Warsaw Village Band (Polónia) - Jaro
mês passado: 21ºlugar
14º- ASA, Asa (Nigéria, França) - Naive
mês passado: 47ºlugar
15º- AROUND THE WORLD, Senor Coconut (Alemanha, Chile) - Essay Recordings
estreia na tabela 
16º- IN DOTE, Jessica Lombardi (Itália) - Radici
estreia na tabela 
17º- PRINCES AMONGST MEN - JOURNEY WITH GIPSY MUSICIANS, vários - Asphalt Tango
mês passado: 38ºlugar
18º- BAILA QUERIDA, Tango Crash (Argentina, Alemanha) - Galileo MC
estreia na tabela
19º- ANA HINA, Natacha Atlas (Reino Unido) - World Village
mês passado: 144ºlugar
20º- CALCUTTA CHRONICLES, Debashish Bhattacharya (Índia) - Riverboat
mês passado: 26ºlugar

domingo, 22 de Junho de 2008

Emissão #68 - 28 Junho 2008

A 68ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 28 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 2 de Julho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (19 e 23 de Julho) nos horários atrás indicados.

"Strong Winds Blockade", Kristi Stassinopoulou (Grécia) - rembetica, techno folk, ethno trance
Kristi Stassinopoulou inaugura a emissão com “Strong Winds Blockade”, tema retirado do álbum “The Secrets of the Rocks”, editado em 2002. Neste seu terceiro trabalho, de novo um casamento entre passado e futuro, a cantora ateniense cruza ritmos gregos como a rebética (género urbano de dança, enraizado na música do século XIX da costa ocidental da Ásia Menor e de Constantinopla, e que se desenvolveu em cidades como Atenas) com as tradições musicais mediterrânicas, dos Balcãs e do norte de África, sem esquecer a psicadélica anglo-saxónica dos anos 60 e 70 e a música electrónica. Nada de estranhar, já que Kristi cresceu a ouvir a folk grega, turca e africana, o rock clássico dos Jefferson Airplane e dos Velvet Underground ou o punk dos Blondie e de Patti Smith. Amálgama sonora que a cantora e escritora ficcionista acabou por explorar de forma criativa em inúmeras bandas de liceu e nos “Anipofori” (Os Insuportáveis), um dos primeiros grupos punk gregos. A aventura continua hoje nos temas compostos com o multinstrumentista Stathis Kalyviotis, produtor dos seus quatro trabalhos discográficos e um dos membros do seu ensemble, formado ainda por ainda Dimitris Chiotis,
Giorgi Makris, Reiner Witzel, Yiannis Kininis, Yiannis Choulis e Vassilis Divolis. Inspirada nas ilhas gregas, neste disco Kristi recria os sons do mar Egeu e evoca a mitologia helénica, as forças da natureza e as paisagens naturais e humanas do Mediterrâneo. Poesia e música juntam-se então numa obra recheada de referências líricas, vocalizações da tradição bizantina, arranjos modernos e sons electrónicos onde, cantando em grego e inglês, Kristi fala do amor ou da passagem do tempo. Para isso, conta com uma variedade de instrumentos que vai dos cordofones tradicionais gregos – a lira cretense, o sazi, o laouto (da família do bandolim) ou o baglamas (semelhante a um pequeno bouzouki) – ao baixo, guitarras acústica e eléctrica, passando pela kaval (flauta oblíqua diatónica), gaita-de-foles grega ou acordeão, todos eles acompanhados por instrumentos de percussão com o dauli, o toumbeleki (pequeno tambor do género da darabuka), o cajón, o djembé ou o berimbau.

"Peru Branco (Cantiga das Mentiras)", Marenostrum (Portugal) - folk
A viagem pelas músicas do mundo continua com os Marenostrum e o tema "Peru Branco (Cantiga das Mentiras)", extraído do álbum “Almadrava”, lançado em 2006. Segundo trabalho do grupo algarvio, cujo título é inspirado na armação utilizada naquela região na pesca de atum, e onde participam os músicos Maria Alice e Mamadi. Neste seu último disco, os Marenostrum, nome que é uma homenagem a Portugal e à sua localização geográfica, prosseguem com a apresentação dos sabores sonoros algarvios ao resto do país e ao estrangeiro (eles passaram já pela Suécia, Espanha, México e Índia), aliando a música tradicional portuguesa às suas próprias composições. Nascidos em Tavira em 1994, os Marenostrum começaram por fazer arranjos de temas de músicos como Sérgio Godinho e Vitorino. Hoje fundem géneros como o corridinho e o baile mandado com influências que vão da música árabe do Magrebe às tradições hebraica, celta e cabo-verdiana. Uma mistura assente no uso da guitarra acústica, do bandolim, da bateria, do acordeão, do baixo eléctrico, do trombone e do saxofone. O repertório da banda vai das melodias que falam dos sentimentos e das vivências daqueles para quem o mar é uma fonte de subsistência ou de inspiração, aos temas enérgicos onde se reflecte o espírito das antigas festas populares da serra e do litoral algarvio. Como cada elemento dos Marenostrum – José Francisco Vieira, Paulo Machado, João Francisco Vieira, João Frade e Lino Vidal - toca vários instrumentos, ao vivo eles contam com músicos adicionais em palco: Emanuel Marçal, Vitor Afonso e Nuno Faria. Espectáculos onde o grupo apela à dança através de ritmos simples e animados, sempre com espaço para o improviso. Em Julho, os Marenostrum vão estar em Cabanas de Azeitão, em Palmela (dia 5), rumando depois até ao sul para um concerto no museu de São Brás de Alportel (dia 13). Ainda no Algarve, seguem-se os espectáculos em Loulé (dia 14), Portimão (dia 18) e Albufeira (dia 25).

"Para Lá do Marão", Diabo a Sete (Portugal) - folk
Os Diabo a Sete regressam ao programa, desta feita com “Para Lá do Marão”, um dos temas vulcânicos que fazem parte de “Parainfernália”, álbum de estreia do grupo, editado em 2007, e onde é convidado o músico Hugo Natal da Luz. Surgidos em Coimbra em 2003, os Diabo a Sete dizem ser uma espécie de cozido à portuguesa, embora com menos couves e mais enchidos. Das adaptações do cancioneiro nacional aos originais de inspiração popular, eles procuram reinventar a música tradicional portuguesa tomando como referência principal formações como o GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e a Brigada Victor Jara. Caminhos escaldantes que depois se alargam a recantos acústicos endiabrados como o rock, o reggae, a música celta ou as danças europeias. Com percursos diferentes mas um gosto comum pela música étnica do seu país, Pedro Damasceno, Celso Bento, Eduardo Murta, Julieta Silva, Luísa Correia e Miguel Cardina misturam os sons da sanfona, da concertina, da flauta, da gaita-de-foles, do bandolim, do cavaquinho e da guitarra com os da bateria, das percussões e do baixo eléctrico. Um cruzamento entre o passado, o presente e o futuro, onde se reinventam ritmos, melodias e instrumentos de outros tempos. Em Agosto, os Diabo a Sete vão estar em Tavira (dia 5). Segue-se a participação no Festival Sons do Atlântico, em Lagoa (dia 10), e o espectáculo no Paço da Cultura, na Guarda (dia 21).

"Colette", Vieux Farka Touré (Mali) & Issa Bamba (Mali) - afropop, blues
A jornada continua com o maliano Vieux Farka Touré e "Colette", tema onde se destaca a voz do cantor Issa Bamba, e que é extraído do álbum baptizado com o nome do músico. No seu disco de estreia, produzido pelo baixista norte-americano Eric Herman e lançado em 2007, o talentoso vocalista, guitarrista, percussionista e tocador de cabaça fala sobre a importância da justiça e da solidariedade entre todos, contando com as participações especiais do pai na guitarra eléctrica e do mestre da kora Toumani Diabaté. A combinação de melodias e instrumentação tradicional africana – da njarka ao n’goni – com ritmos mais rápidos e composições próprias acústicas e eléctricas revela a energia sonora captada pela geração daquele cujo verdadeiro nome é Bouriema Touré. Inspirado pela música de Ali Farka Touré, o lendário bluesman falecido em 2006, Vieux (“velho”, em francês, em alusão ao avô) Farka (“burro”, metáfora adequada à sua teimosia) Touré acabaria por contrariar o pai, inicialmente avesso à carreira musical do filho. Depois da passagem pelo Instituto Nacional de Artes, em Bamako, Toumani Diabaté convida o jovem a integrar o seu ensemble e a viajar pelo mundo. Hoje, Vieux Farka Touré segue o caminho trilhado na guitarra pelo progenitor, acrescentando à tradição musical do Mali elementos ocidentais e referências do reggae, rock, soul, funk e blues.

"Beaux Dimanches", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues
No seu regresso ao programa, a dupla Amadou & Mariam apresenta-nos “Beaux Dimanches”, tema retirado do álbum “Dimanche a Bamako”, editado em 2005. Com muita guitarra à mistura, este trabalho, produzido por Manu Chao, está recheado de ritmos africanos, batidas funky, harmonias suaves e pedaços de reggae, jazz, blues e rock. Naquela que é a mais roqueira pop africana, não faltam as habituais alusões ao quotidiano do seu país e as letras que apelam à paz, ao amor e à justiça. Mariam Doumbia começou por cantar em casamentos e festivais tradicionais, enquanto que Amadou Bagayoko era guitarrista nos Les Ambassadeurs, banda lendária a que mais tarde se juntou Salif Keita. Os dois são invisuais e conheceram-se em 1977 no instituto de cegos de Bamako, a capital do Mali. A partir de então tornaram-se inseparáveis não só na vida, mas também na música. Amadou & Mariam prestam então homenagem à música tradicional maliana, revestindo-a de sons ocidentais. Cantando em francês, castelhano e no seu dialecto original, estes bambara (etnia maioritária no Mali) vão buscar referências musicais à sua adolescência: a pop, o rock psicadélico e a salsa dos anos 60, e o funk e a soul da década seguinte. Uma forma de recordarem não só as suas raízes mandingo, mas também as ligações do Mali ao gnawa, à música cubana e ao jazz, tornando universal a música daquele país.

"Tamin Qualbak Ya Habibi", Schäl Sick Brass Band (Alemanha) - brass band, jazz, folk
Seguem-se os Schäl Sick Brass Band com “Tamin Qualbak Ya Habibi”, uma dança núbia de Ali Hassan Kuban que faz parte do disco “Tchupun”, editado em 1999. O grupo, constituído por quase uma dezena de elementos, surgiu em Colónia, capital cultural da província da Renânia e fortaleza mediterrânica da Alemanha. Um dos muitos emigrantes e visitantes de todo o mundo que a encheram de sons coloridos foi Raimund Kroboth, que em 1977 se instalou na margem direita do Reno. No dialecto local, aquela parte da cidade é conhecida precisamente por "Schäl Sick" (lado errado). Isto porque está do lado contrário à catedral e ao centro de Colónia, e porque é um enclave protestante na católica Renânia. Partindo de uma secção de ritmo que tem por base a tuba, a cítara popular e as percussões, os Schäl Sick Brass Band utilizam o som das fanfarras da região alemã da Bavaria e da Boémia checa para explorarem com inovação e versatilidade a música de outras culturas. Eles combinam elementos de jazz com o rock, o funk, o hip-hop o rap ou a folk. Um universo sonoro influenciado pela Europa central e de Leste e pelo norte de África, onde convivem ritmos cubanos, gregos, latinos, africanos e orientais, e instrumentos de todo o mundo - tavil, kanjira, dhol, dolki, omele, sekere, gangan, thereminvox, entre muitos outros. Um ambiente festivo em que se celebra a música de todo o planeta e onde o lema é "pensar global, soprar local"...

"Let's Have Fun At The Border", Armenian Navy Band (Arménia) - avant-garde folk
A Armenian Navy Band traz-nos “Let’s Have Fun At The Border”, tema extraído do seu segundo álbum “New Apricot”. Trabalho gravado em Istambul e editado em 2001, reflexo da primeira digressão europeia do grupo, realizada um ano antes. À primeira vista, Armenian Navy Band pode parecer um nome absurdo para a banda criada em 1998 em Yerevan, capital de um país sem acesso directo ao mar. No entanto, o seu fundador, o percussionista e vocalista de ascendência arménia Arto Tunçboyaciyan, acredita ser possível mover todo este barco sonoro do Cáusaco, mesmo sem água. Juntam-se-lhe neste projecto onze jovens que se fazem acompanhar desde os tradicionais sazabo, duduk (aerofone tradicional da Arménia), zurna (aerofone da Anatólia com palheta dupla), kamancheh (espécie de violino persa), kanun (semelhante à cítara, mas de formato trapezoidal), blul, suduk, a instrumentos mais actuais como o trombone, o saxofone, o trompete, o baixo, a bateria, os teclados e o piano. A orquestra cruza então a melancolia da música tradicional da Arménia e Anatólia (parte asiática da Turquia) com o lamento e a solidão do jazz e dos blues, havendo ainda espaço para o rock e para a pop. Composições próprias numa folk avant-garde, síntese das vivências multiculturais de alguém que através da música procura comunicar os valores do amor, do respeito e da verdade. Arto Tunçboyaciyan cresceu na Turquia e emigrou para os Estados Unidos da América, onde hoje vive. Ao longo dos anos, tem vindo a colaborar com referências do jazz e da world music como Eleftheria Arvanitaki, Gerardo Nuñez, Joe Zawinul, Al Di Meola, Chet Baker, Oregon, Joe Lovano, Wayne Shorter, Don Cherry, Arthur Blythe ou Omar Faruk Tekbliek.

"Heptumbao", Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock
Despedimo-nos em ambiente de festa com os catalães Cheb Balowski, que desta feita nos trazem “Heptumbao”, tema extraído do álbum “Potiner”, lançado em 2003. Segundo trabalho do grupo, produzido por Stephane Carteaux, e em que participam os americanos Kultur Shock, os franceses Radio Bemba, o basco Iñigo Muguruza e os catalães La Carrau. A designação da banda resulta da junção dos termos Cheb ("o jovem", em árabe), complemento habitual nos nomes dos cantores de raï argelinos, e Balowski (em polaco, o verbo balować significa "divertir-se bailando"), apelido do emigrante de Leste interpretado por Alexei Sayle na série de televisão inglesa “The Young Ones”. Formados em 2000 em Barcelona, depois de uma infância comum no bairro de Raval, os Cheb Balowski integram uma dezena de músicos - eles são Yacine Belahcene Benet, Isabel Vinardell Fleck, Marc Llobera Escorsa, Santi Eizaguirre Anglada, Jordi Marfà Vives, Daniel Pitarch Fernández, Jordi Ferrer Savall e Arnau Oliveres Künzi, Jordí Herreros e Sisu Coromina. Cantando em castelhano, catalão, francês e árabe, eles cruzam a música catalã e a cultura mediterrânica com a energia do raï, do gnawa, do reggae e do rock. Um ambiente festivo, que vai do flamenco e da pachanga aos ritmos balcânicos, árabes, africanos e mediterrânicos, assente na sonoridade de violinos, saxofones, trompetes, piano, bateria, acordeão, guitarra, baixo e todo o tipo de percussões.

quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Emissão #67 - 14 Junho 2008

A 67ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 14 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 18 de Junho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (5 e 9 de Julho) nos horários atrás indicados.

"Oriente Ocidental", Fadomorse (Portugal) - folk, world fusion
Os Fadomorse a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Oriente Ocidental”, tema que faz parte do seu terceiro álbum de originais “Folklore Hardcore”, editado este ano. A banda transmontana, criada em 2000 na cidade de Mirandela, explora os timbres dos instrumentos tradicionais (acordeão, flauta transversal, gaita de foles, cavaquinho, viola braguesa ou guitarra portuguesa) e a riqueza harmónica e melódica do cancioneiro nacional, acrescentando-lhes no entanto novas tendências e sonoridades. Sons que o grupo de sete elementos descreve como sendo uma fusão da raiz popular portuguesa com a melhor música do mundo, mas que não estão necessariamente associados a estilos ou géneros específicos. Influenciados por nomes como Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Gentle Giant, Frank Zappa ou Mr Bungle, os Fadomorse apresentam um conjunto ritmado de inéditos e arranjos, cantados nos vários sotaques do país, da Madeira aos Açores, sem esquecer o Alentejo. Aventuras sonoras onde eles têm contado com as colaborações de Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Abel Beja (Primitive Reason) ou Peixe (Pluto). A 5 e 11 de Julho, os Fadomorse vão estar no Rainforest Festival, em Sarawak, na Malásia. No dia 19 rumam até ao Festival da Serra da Estrela, em Valhelhas, e a 25 de Julho eles vão estar no Raízes do Atlântico, no Funchal. Finalmente, a 14 de Agosto os Fadomorse tocam nas festas da cidade, em Santa Comba Dão.

"Abaixo Esta Serra", Mandrágora (Portugal) - folk, jazz, rock
As músicas do mundo prosseguem com com os Mandrágora e o tema "Abaixo Esta Serra", extraído seu segundo álbum “Escarpa”, lançado no mês de Maio. Trabalho onde participam Simone Bottaso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), Francisco Madeira (voz e guitarra) e Helena Silva (voz). Depois de explorarem as raízes da folk através das flautas e gaitas-de-foles, neste seu novo disco os Mandrágora (segundo a crença popular, a Mandrágora, uma planta afrodisíaca com uma raiz de odor forte e forma humana, grita quando é arrancada da terra) seguem um caminho mais urbano, adicionando-lhe amostras de jazz e rock. São músicas rápidas, recheadas de improviso e percussão, a que se juntam os arranjos de guitarra, baixo e saxofone, e instrumentos de arco como o violoncelo, a moraharpa e a sua predecessora nyckelharpa, ambas referências tradicionais da Suécia. As composições deste colectivo do Porto, formado em 1999 e de que hoje fazem parte Filipa Santos, Ricardo Lopes, Pedro Viana, Sérgio Calisto e João Serrador, evocam a tradição musical portuguesa, procurando influências noutras culturas e na música moderna. Em Julho, os Mandrágora vão estar na FNAC de Braga (dia 5) e em Lagos (dia 11). Ainda no mesmo mês, seguem-se os concertos no Ethnoambient Salona Festival, na Croácia (dia 17), e em Sines, no Festival de Músicas do Mundo, (dia 24), onde os Mandrágora irão surgir ao lado do violinista Jacky Molard, do clarinetista Guillaume Guern e da cantora luso-francesa Simone Alves, num cruzamento entre a música portuguesa e bretã.

"Chapeloise", Pé Na Terra (Portugal) - folk, folk-rock
Os Pé na Terra em estreia no programa com “Chapeloise”, tema retirado do álbum do mesmo nome do grupo, editado este ano. Um trabalho que conta com a colaboração dos portugueses António Fernandes, Dulce Moreira, Patrícia Miranda, Silvana Dias, Tânia Pires e Tiago Meireles, bem como das galegas Patrícia Cela (do grupo de folk galego-minhoto Xistra de Coruxo) e Maria Xosé López (do grupo de musica tradicional Muxicas). A banda, formada no Porto em 2005 por Cristina Castro, Ricardo Coelho e Tiago Soares, tem vindo a percorrer diversos palcos, bares e festivais não só em Portugal, mas também em Espanha. Este projecto de renovação da música tradicional começou por se basear em instrumentos portugueses - acordeão, concertina, viola braguesa, gaita-de-foles transmontana ou flauta -, abrindo no entanto as portas aos temas originais, complementados pela poesia e por danças tradicionais europeias como valsas e chapeloises. Dois anos depois, juntavam-se aos Pé na Terra Adérito Pinto e Hélio Ribeiro, trazendo na bagagem o baixo e a guitarra electro-acústica, parte de uma nova sonoridade onde entram a bateria e referências como o rock ou o metal. Como pano de fundo permanecem os sons mais tradicionais da gralha (aerofone tradicional da Catalunha), tarota (oboé catalão), melódica, sanfona ou tamboril galego. Em Junho, os Pé na Terra vão estar nas FNAC’s de Coimbra (dia 15) e Viseu (dia 22), com uma aparição pelo meio na Rua Cândido dos Reis, no Porto (dia 21). Já em Julho, seguem-se as actuações na Nespereira, em Lousada (dia 5), Guimarães (dia 11) e Famalicão (dia 12). Finalmente, em Agosto, o grupo ruma até ao Festival Andanças, em São Pedro do Sul (dias 4 e 7), Ourense, na Galiza (dia 9), Abrantes (dia 23) e Faro (dia 30).

"Kel Tamasheck", Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
A jornada continua com os Etran Finatawa e “Kel Tamasheck” (O Povo Tuaregue), tema extraído do seu segundo trabalho “Desert Crossroads”, lançado este ano. Uma canção dirigida ao próprio povo, onde se fala da importância da sua cultura e modo de vida ancestral. Em 2004, seis músicos wodaabes e quatro tuaregues, unidos pelo gosto pela música e pelo desejo de paz entre todas as etnias que vivem ou viajam pelo Níger, na fronteira com o Mali, juntaram-se e formaram este grupo. Eles são dois dos lendários grupos étnicos nómadas que vivem na savana do Sahel, no sul do Sáara. Durante milhares de anos, a região foi um ponto de passagem entre os árabes do norte de África e as culturas subsarianas. Enquanto que os wodaabe, de etnia fulani, são conhecidos pelos seus rebanhos e gado, os tuaregues, berberes que falam tamashek, são famosos criadores de camelos. Mesmo tendo culturas e línguas muito distintas, os elementos dos Etran Finatawa (As Estrelas da Tradição) ultrapassaram as fronteiras étnicas e o racismo, trabalhando juntos para construírem um futuro melhor para os seus povos. Eles combinam instrumentos tradicionais e canções polifónicas com arranjos modernos e guitarras eléctricas. O resultado é um cruzamento entre o blues, o rock e o funk, mistura melódica onde se destacam as vozes nostálgicas que descrevem as suas raízes culturais e uma forma de vida cada vez mais relegada para o passado.

"Ger Aadi", Fatma Zidan (Arábia Saudita) - ethno pop
Fatma Zidan estreia-se no programa com "Ger Aach", tema retirado do álbum “Ella Elzaal” (Aceitar a Tristeza), e que pode ser encontrado na compilação “The Rough Guide to Arabic Café”, editada este ano. Segundo trabalho a solo da cantora, sucessor do clássico “Aya Haeman” (Amor Apaixonado), numa produção pop carregada de ritmos do Golfo Pérsico, e de novo produzida por alguns dos mais famosos músicos e compositores daquela região. Conhecida como a voz do Egipto, Fatma Zidan é uma das cantoras corais mais requisitadas pelos estúdios de gravação do Cairo, com passagens recorrentes pelo Dubai, Omã ou Iémen, e uma das mais talentosas da música árabe. Uma sonoridade fortemente enraizada na tradição egípcia e inspirada na diva Oum Khaltoum.
Nascida em 1977 na Arábia Saudita, Fatma Zidan é filha de pais egípcios, o que lhe permitiu cantar nos vários dialectos do Golfo Pérsico. A jovem começou a tocar harpa aos cinco anos, estudando mais tarde no conservatório em Guiza e na Escola de Música de Zamalek. No entanto, a sua carreira musical clássica, feita sobretudo de actuações na Ópera do Cairo, acabou por sofrer uma reviravolta há cerca de uma década quando esta começou a cantar e gravar para algumas das maiores estrelas da pop árabe, com destaque para Kazem El-Saher, Kadhim Zaher, Ngrem ou Sherin. Fatma Zidan surge habitualmente em palco com o seu ensemble egípcio, mas já trabalhou também com a orquestra da radio pública dinamarquesa, naquele que foi um dos momentos mais altos da sua carreira. A jovem diva procura agora novas parcerias, tendo em vista projectos similares com outras orquestras sinfónicas.

"Yidu Tramvayem", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk
Seguem-se os ucranianos Haydamaky com “Yidu Tramvayem”, tema retirado do seu segundo disco “Kobzar”, lançado este ano. Um trabalho onde a banda conta com as colaborações dos polacos Pidzama Porno e dos Zion Train, os reis do raggamuffin. Os Haydamaky levam-nos de novo pelos caminhos do ska das montanhas dos Cárpatos, do reggae, do punk hutzul e da dub machine, misturando-os com a folk ucraniana, o rap e o rock’n’roll. Após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia, um grupo de estudantes criava a banda Aktus, que rapidamente conquistou um lugar de destaque no underground musical de Kiev. No início do novo século, em honra à rebelião histórica do século XVIII, eles decidiram mudar o nome para Haydamaky. Para além dos espectáculos que têm feito em toda a Europa de Leste, em 2004 apoiaram a revolução laranja que mobilizou o país, tendo um dos seus temas sido muito rodado nas estações de rádio alternativas. Música que assenta na combinação de raízes ucranianas com standards europeus, uma fórmula caracterizada pela energia turbulenta e por uma montanha russa de melodias.

"Hassan’s Mimuna", Balkan Beat Box (Israel) & Hassan Ben Jaffar (Marrocos) e Har-El Shachal (EUA) - gypsy-punk, contemporary folk
Os Balkan Beat Box trazem-nos “Hassan’s Mimuna”, tema extraído do seu álbum de estreia, baptizado com o nome do grupo e editado em 2005. Para além da participação nesta música de Hassan Ben Jaffar e de Har-El Shachal (radicados em Nova Iorque, Hassan Ben Jaffar tem vindo a actuar com vários ensembles de fusão gnawa, enquanto que o saxofonista e clarinetista Har-El Shachal liga Ocidente e Oriente), o trabalho conta ainda com as colaborações das Bulgarian Chicks (Valda Tomova e Kristin Espeland), dos israelitas Boom Pam, bem como de Victoria Hanna, Shushan e Tomer Yosef. Os Balkan Beat Box misturam de forma enérgica e ousada melodias folk do norte de África, Israel, Balcãs, Mediterrâneo, Europa de Leste e Médio Oriente com letras bizarras, hip-hop e batidas electrónicas. A fanfarra circense, que chega a ter 15 músicos – um terço deles oriundos da Europa – é formada pelos israelitas Tamir Muskat e Ori Kaplan, que têm trabalhado com músicos e compositores da Turquia, Israel, Palestina, Marrocos, Bulgária e Espanha. A filosofia dos Balkan Beat Box é a de acabar com as fronteiras políticas na música, fazendo folk de forma contemporânea. Tudo começou em Israel, onde assimilaram os standards folk, do klezmer às melodias búlgaras, passando pelos ritmos árabes. No final dos anos 80, Ori e Tamir partem para Nova Iorque, onde descobrem o gypsy-punk e acabam por misturar as suas raízes mediterrânicas com outras culturas.

"Close Your Eyes", Bebel Gilberto (Brasil) - bossa nova, forró, pop, electronica
Despedimo-nos com Bebel Gilberto, que nos traz o tema “Close Your Eyes”, extraído do álbum “Tanto Tempo”, editado em 2000. Primeiro trabalho a solo, duas vezes nomeado para os Grammy, da cantora e compositora que em Maio passou por Portugal, e que tem vindo a trabalhar com produtores como Guy Sigsworth e com grupos como as The Brazilian Girls ou a Orquestra Imperial. Radicada em Nova Iorque mas brasileira de corpo e alma, Bebel Gilberto, cujo nome completo é Isabel Gilberto de Oliveira, é filha do lendário guitarrista João Gilberto, o criador da bossa nova, e da cantora e compositora Miúcha. Desde muito cedo que esta começou a cantar em coros infantis e em musicais, tendo-se estreado em palco com o pai. Neste disco, Bebel reinventa precisamente o legado clássico de João Gilberto ao abrir as portas à bossa nova. A sensualidade deste género, resultado do cruzamento do ritmo sincopado da percussão do samba com a voz uniforme, é recriada pelo timbre suave e melódico de Bebel Gilberto, a que se juntam instrumentos acústicos e algumas orquestrações. O resultado é um disco com sabor a música electrónica e um cheirinho a forró, pop ou jazz, onde participam, entre outros, Mario Caldato Jr, Suba, Amon Tobin, Béco Dranoff, Luís do Monte, João Parahyba ou Nina Miranda, dos Smoke City.

quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Maria João: a voz mestiça do jazz

Depois de um disco recheado de ritmos afro-brasileiros, segue-se o reencontro com Mário Laginha e com os clássicos jazzísticos

Colada à pele e à voz, Maria João apresenta a sua música mestiça
(imagens: Jorge Costa/Multipistas)

Maria João, uma das mais conhecidas vozes do jazz português, encerrou a 14ªedição da Primavera Musical, o Festival Internacional de Música de Castelo Branco. À cidade, a cantora lisboeta trouxe um espectáculo feito com os ritmos coloridos de Portugal, Moçambique e Brasil, sons que se lhe colam ao corpo e se espalham num palco do tamanho do Atlântico.

“Estas três influências fazem parte do pé direito, e o meu pé esquerdo é inteiramente dedicado ao jazz, refere ao MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO Maria João. “Eu não sei bem de onde é que trago as coisas, porque eu nunca vivi propriamente em Moçambique, mas estive muitas vezes lá porque a minha mãe, a minha avó e a minha família são de lá. Nunca assisti a concertos ou fui para o mato ouvir música africana, mas obviamente que isto está no sangue e na pele”, justifica a cantora. “Desde o disco “Cor” que eu sei qual é o meu caminho, a minha música mestiça”.


Em palco, o jazz combina-se com ritmos de todo o mundo

Caminho feito de fábulas sonoras e de conversas com a música, numa mestiçagem que inspira uma voz com várias vozes dentro. A cantora luso-moçambicana estreou-se no jazz no Hot Clube de Portugal, escola onde descobriu à distância os talentos de Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Elis Regina ou Betty Carter. Da experiência nasceu o quinteto Maria João e um disco de standards americanos. Mais tarde, a pianista japonesa Aki Takase revelou-lhe o mundo do free jazz. Desses tempos ficou o improviso em scat, vocalizações sem sentido que acompanham melodia e ritmo, mas muito úteis quando a jovem se esquecia das letras.

“Eu tenho uma aproximação muito intuitiva e instintiva à música. Não tenho nenhum preconceito, oiço tudo e mais alguma coisa, e depois separo o que é a boa da má música”, esclarece Maria João. “Eu gosto muito da música que me faça mexer e dançar, de músicos que façam boa música e que me deixem aos pulos, inspirada, contente e com vontade de dançar”.



André Fernandes (em cima) e Demian Cabaud (em baixo)

Música ritmada que vai dos originais às reinterpretações de temas de nomes da cena internacional. Depois de Björk, Joni Mitchell ou Tom Waits, o último álbum de Maria João revisita os sons da Música Popular do Brasil. Trabalho a solo onde esta explora composições de Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes ou Carlinhos Brown.

“Eu já andava a pedir há tanto tempo um disco dedicado ao cancioneiro brasileiro. Fizemos os arranjos à nossa maneira – às vezes, a música está quase irreconhecível, mas está da maneira que eu gosto”, garante a cantora. “Só faço música de outros se puder juntar alguma coisa. Houve músicas que eu amo, mas como não lhes consegui dar nenhuma volta, então não fizeram parte”.



Marco Franco (em cima e à direita) completa o quarteto

Entretanto, somam-se as colaborações com músicos portugueses (António Pinho Vargas, Júlio Pereira, Dulce Pontes, Mariza, Teresa Salgueiro, Rão Kyao, Jorge Palma ou Danças Ocultas) e estrangeiros (Toninho Ferragutti, Helge Norbakken, quarteto de sopros Saxofour, Orquestra Filarmónica de Hannover, Ralph Towner, Dino Saluzzi, Manu Katché, Kai Eckhardt, Laureen Newton, Bobo Stenson, Christof Lauer, Nils-Henning Ørsted-Pedersen, Hermeto Pascoal, Bobby McFerrin ou David Friedman), e as participações em projectos onde o jazz se cruza com o fado, a música tradicional portuguesa (com José Peixoto, Carlos Bica e José Salgueiro, dos Cal Viva, e as Adufeiras de Monsanto), indiana (com Trilok Gurtu e Wolfgang Muthspiel), brasileira (com Gilberto Gil e Lenine) ou africana (com Bana e Simentera), bem como a dança e as artes marciais japonesas.

As vocalizações de Maria João são sempre uma surpresa

Depois de mais de uma década acompanhada pelo pianista e compositor Mário Laginha, cumplicidade musical de que resultaram oito discos com incursões também no universo da pop e do rock, Maria João surge agora em palco com o quarteto de que fazem parte o guitarrista André Fernandes, o contrabaixista Demian Cabaud e o baterista Marco Franco.

“Estes músicos fazem-me cantar de outra forma porque têm estes instrumentos e as suas personalidades. O Mário e aquele instrumento enorme que é o piano, e aquela orquestra, fazem-me cantar de outra forma, mas a Maria João é sempre a mesma”, assegura. “As pessoas gostam muito de nos ouvir. Tenho muitos convites, estou sempre a cantar fora de Portugal em muitos países, e estou feliz”.


A boa disposição da cantora extravasa para os músicos

O próximo álbum, um trabalho que assinala os 25 anos da estreia do quinteto que juntou Maria João, Mário Laginha, Carlos Martins, António Ferro e Carlos Vieira, já vem a caminho, mas o nome continua no segredo dos deuses. Sabe-se apenas que entre os participantes convidados está o percussionista norueguês Helge Norbakken.

“Eu e o Mário vamos entrar em estúdio e fazer um álbum comemorativo do princípio de tudo. Vamos gravar um disco mais clássico, desta vez mais de standards de jazz, que é uma coisa que já não fazemos há muito tempo”, confessa Maria João. “Vai ser outra aventura”.

Aventuras musicais da voz mestiça do jazz, que se cruzam com os sons e os ritmos do mundo.


Em cena, o movimento junta-se ao ritmo sonoro


Discografia:
1983 – “Quinteto Maria João”
1985 – “Cem Caminhos”
1986 – “Conversa”
1988 – “Looking For Love”
1990 – “Alice”
1991 – “Sol”
1994 – “Danças”
1996 – “Fábula”
1998 – “Cor”
1999 – “Lobos, Raposas e Coiotes”
2000 – “Chorinho Feliz”
2001 – “Mumadji”
2002 – “Undercovers”
2004 – “Tralha”
2007 – “João”
2008 – "Chocolate"

segunda-feira, 2 de Junho de 2008

World Music Charts Europe - Junho 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Junho dos 173 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, as novas nove entradas no topo do painel (três em estreia absoluta no WMCE e seis a subirem para os primeiros vinte lugares):

1º- UMALALI: THE GARIFUNA WOMEN'S PROJECT, vários (Belize, Guatemala) - Cumbancha
mês passado: 3ºlugar

2º- 3MA, Project 3MA: Rajery, Ballake Sissoko, Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
mês passado: 2ºlugar
3º- MALDITO TANGO, Melingo (Argentina) - Naive
mês passado: 20ºlugar
4º- ALIVE, Sa Dingding (China) - Wrasse
mês passado: 35ºlugar
5º- DESERT BLUES 3, vários - Network
mês passado: 8ºlugar
6º- THE SYLIPHONE YEARS, Balla et ses Balladins (Guiné) - Sterns
estreia na tabela
7º- 800, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
mês passado: 1ºlugar
8º- AFRICAN SCREAM CONTEST, vários - Analog Africa
estreia na tabela
9º- IN THE NAME OF LOVE - AFRICA CELEBRATES U2, vários - Shout/Wrasse
mês passado: 44ºlugar
10º- WANDERLUST, Kiran Ahluwalia (Canadá, Índia) - World Connection
mês passado: 102ºlugar
11º- ETHNOMECANICA, Zdob si Zdub (Moldavia) - Lawine/Sony
mês passado: 13ºlugar
12º- FRAGILE BEAUTY, Huong Thanh (Vietname, França) - ACT
mês passado: 4ºlugar
13º- WATCHA PLAYIN, Brooklyn Funk Essentials (EUA) - Tropical
mês passado: 102ºlugar
14º- MANY LESSONS, Bantu, Docta etc. (vários) - Piranha
mês passado: 12ºlugar
15º- BALDAMORE, Hadouk Trio (França) - Naive
mês passado: 9ºlugar
16º- BADYO, Mário Lúcio (Cabo Verde) - Lusafrica
mês passado: 29ºlugar
17º- O3, Son of Dave (Canadá, Reino Unido) - Kartel
mês passado: 54ºlugar
18º- BALKAN BEATS VOL.3, vários - Eastbook
mês passado: 6ºlugar
19º- TRACES OF THRACE, Fraser Fifield Band with Nedyalkov and Georgi Petrov (Reino Unido, Bulgária) - Tanar Records
estreia na tabela
20º- THE BOY BANDS HAVE WON..., Chumbawamba (Reino Unido) - Westpark
mês passado: 18ºlugar

quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Emissão #66 - 31 Maio 2008

A 66ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 31 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 4 de Junho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (21 e 25 de Junho) nos horários atrás indicados.

"Sun", Kroke (Polónia) - klezmer, jazz fusion, folk
Os Kroke a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Sun”, tema retirado do seu quinto álbum “Ten Pieces To Save The World”, lançado em 2003. Trabalho onde a banda acredita poder salvar o mundo através da música, e em que são convidados os músicos Jacek Królik e
Sławomir Berny. Os Kroke nasceram em 1992 em Kazimierz, o bairro judaico da capital polaca. Em iídiche, idioma germânico falado em comunidades judaicas de todo o mundo e que utiliza o alfabeto hebraico moderno, Kroke significa precisamente Cracóvia, cidade que até ao início da década de 1940, nas vésperas do holocausto, foi um dos mais importantes centros da vida cultural judaica. O grupo é formado pelo contrabaixista Tomasz Lato, pelo violinista e pianista Tomasz Kukurba e pelo acordeonista Jerzy Bawoł, colegas da Academia de Música de Cracóvia, a que mais tarde se juntaria o percusionista Tomasz Grochot. Ainda que não sejam judeus, eles procuram redescobrir e reinventar as tradições musicais dos seus antepassados, tendo vindo a colaborar com artistas de renome como Van Morrison, Ravi Shankar, Natacha Atlas ou os Klezmatics. Nas suas composições e arranjos próprios, os Kroke servem-se sobretudo de escalas do klezmer – do hebraico kley (instrumento) e zemer (cantar, interpretar música) –, a música tradicional instrumental dos judeus de Leste, característica das bodas ou celebrações e enriquecida ao longo dos séculos com sons e ritmos de outras paragens. Junta-se-lhe a música sefardita, combinada com a experiência da clássica e com os improvisos da música cigana ou oriental. O resultado é uma sonoridade ora melancólica, ora festiva, mas sempre com um toque assumidamente contemporâneo.


"Tarantainas De La Casa Sin Pared", Biella Nuei (Espanha) - spanish folk
As músicas do mundo prosseguem com os Biella Nuei e o tema "Tarantainas De La Casa Sin Pared", uma referência amigável a todos os que viam a música tradicional aragonesa como algo ultrapassado, extraída do disco “Sol D’Iberno”, editado em 2006. Trabalho produzido por Juan Alberto Arteche, e que encerra a triologia iniciada com “Las Aves Y Las Flores” (1994) e “Solombra” (1998), abrindo portas a uma fase mais criativa e menos etnocêntrica no percurso deste grupo fundado por Luís Miguel Bajén na década de 1980. Álbum optimista e alegre, onde os Biella Nuei se abrem às percussões das culturas andaluza ou latina, e que conta com a participação de músicos como Eliseo Parra ou La Ronda de Boltaña. Nos primeiros anos, o septeto centrou-se no estudo e divulgação da tradição oral aragonesa, no desenvolvimento de repertório próprio e no fabrico de instrumentos como a gaita de boto, o saltério, o pífaro ou a dulzaina. Hoje permanece a variedade de instrumentos, melodias e ritmos tradicionais populares daquela região (jotas, pasacalles, tarantainas ou passeíllos), mas a free folk da banda, mestiçagem étnica sempre ligada aos movimentos sociais (entre eles os neorurais), cruza-se com outras culturas, deixando-se influenciar, entre outros géneros, pelos blues, pela rumba, pela choutiça ou pela soul cubana. Nas suas peregrinações sonoras, os Biella Nuei, que em palco se apresentam ainda com uma formação mais pequena - os Bufacalibos -, têm vindo a tocar com Carlos Núñez, Cristina Pato, Chico Sánchez Ferlosio, Kepa Junkera, Mauricio Martinotti, The Oysterband ou os Gwendal.

"Galego Guajiro", Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk, folk-rock
Os Luar na Lubre de regresso ao programa, desta feita com “Galego Guajiro” (guajiro é o termo com que em Cuba são conhecidos os camponeses), tema retirado do álbum “Saudade”, lançado em 2006. Um medley composto por um punto cubano e por uma alborada e uma pandeirada galegas, numa alusão aos milhares de emigrantes galegos que a Cuba foram buscar a sua academia, a bandeira e o hino. Com uma dezena de trabalhos editados, estes embaixadores da folk celta contemporânea defendem a cultura, a tradição e a música galegas, sem no entanto fecharem portas às influências externas. No seu penúltimo álbum, o grupo da Corunha aposta na música proveniente da América do Sul. Bieito Romero, Patxi Bermúdez, Xulio Varela e Xan Cerqueiro são os quatro elementos que restam da banda original, criada em 1986 e que dez anos depois saltava para a ribalta internacional com o apadrinhamento de Mike Oldfield no seu disco “Voyager”. Neste trabalho, os Luar na Lubre apresentam a vocalista que os acompanha há cerca de três anos, a portuguesa Sara Vidal (que já tinha participado no álbum “Paraíso”), em substituição de Rosa Cedrón. Um disco onde resgatam velhas melodias e harmonias melancólicas, bem como poemas de García Lorca e de autores galegos da emigração, utilizando-os em temas que falam de nostalgia, do exílio e da saudade. Tudo numa homenagem à Galiza que chegou à América Latina e se fundiu com a cultura daquele continente, sem no entanto deixar de parte as suas raízes celtas.

"Umuntu Ngumuntu", Mahlathini & The Mahotella Queens (África do Sul) - mbaqanga, mgqashiyo, afropop
A jornada continua com Mahlathini & The Mahotella Queens e “Umuntu Ngumuntu”, tema extraído do álbum “Umuntu”, editado em 1999. A expressão recorda um conceito zulu que diz que uma pessoa só o é porque se relaciona com os outros. Falecido nesse mesmo ano, Simon ‘Mahlathini’ Nkabinde foi o mais célebre cantor do mgqashiyo, variante muito própria da mbaqanga. Uma versão sul-africana do jazz, fruto da combinação de um estilo vocal profundo e das tradições rurais zulu com instrumentos ocidentais, mas que a influência da pop, soul e disco esgotou, tendo sido substituída na década de 1980 pelo bubblegum. Conhecido não só na África do Sul, mas também no Zimbabué e no Botswana, o “leão do Soweto” (SOuth-WEst TOwnship, em alusão aos subúrbios de Joanesburgo) começou a cantar nos anos 50, sobretudo ao lado das Dark City Sisters. Mais tarde, juntou-se à Makgona Tsohle Band, liderada pelo guitarrista Marks Mankwane, falecido em 1998, e pelo baixista Joseph Makwela, que nas suas jam sessions em Pretória inventaram a mbaqanga ao combinarem o marabi e o kwela com o rhythm & blues. O produtor do grupo foi buscar não só a voz alta e grave de Simon Nkabinde, mas também as danças inventivas das cinco Mahotella Queens (Hilda Tloubatla, Nobesuthu Mbadu, Mildred Mangxola, Juliet Mazamisa e Ethel Mngomezulu). Juntos, com a sua saltitante versão da mbaqanga, eles eram o leão e as raínhas do mgqashiyo. Artistas famosos que tocaram e gravaram juntos desde 1964, numa experiência que, apesar de algumas interrupções pelo meio, se prolongou durante três décadas.

"Djeli", Ba Cissoko (Guiné-Bissau) - kora music
Os Ba Cissoko apresentam-nos "Djeli", tema retirado do seu álbum de estreia “Sabolan”, produzido pelo músico Tao Ravao e lançado em 2003. Estes quatro jovens de ascendência griot - os conhecidos contadores de histórias que imemorialmente percorrem a savana africana para transmitirem ao povo a sua história - são naturais da Guiné-Conacri, mas vivem actualmente na cidade francesa de Marselha, tendo vindo a tocar em inúmeros espectáculos e festivais. A banda, criada em 1999, foi buscar o nome ao seu vocalista principal, o músico Ba Cissoko, neto do também mestre da kora M'Bady Kouyaté. Numa carreira comparada aos primeiros anos de Mory Kanté, o repertório da banda abrange músicas da era de ouro da cultura mandingo e canções em sussu ou peulh, palete que é colorida com congas, djembés ou cabaças e sons urbanos recheados de groove. Ao baixista Kourou Kouyate e ao percussionista Ibrahima Bah junta-se ainda Sekou Kouyaté. Devido à natureza da sua kora eléctrica, este último consegue fazer com que o instrumento produza um som de tal forma distinto, garantindo assim a alcunha de Jimi Hendrix africano, em alusão aos riffs de guitarra do célebre cantor e compositor norte-americano.

"Sepän Poika", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk, suomirock
As Värttinä de novo no programa, agora com “Sepän Poika” (O Filho do Ferreiro), tema retirado do álbum “Iki” (termo que a banda define como sendo “o sopro principal e eterno”), lançado em 2003, no vigésimo aniversário do grupo. Um trabalho que marca o regresso da banda finlandesa às grandes melodias, numa mistura de pop e rock ocidental com a folk europeia e nórdica. As Värttinä são conhecidas por terem inventado uma visão contemporânea da tradição vocal feminina e da poesia popular da Carélia – uma região isolada na fronteira entre a Finlândia e a Rússia – reforçando as letras emocionais com ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. O grupo nasceu em Raakkylaa, uma pequena cidade na Carélia filandesa. Entusiasmados pelas mães, alguns miúdos juntaram-se para cantar músicas folk e tocar kantele (uma versão filandesa do zither, instrumento da família da cítara). À medida que foram crescendo, muitos deixaram o grupo, mas quatro raparigas criaram uma nova formação, que continuou a fazer arranjos tradicionais mas passou também a compor temas próprios. Actualmente fazem parte das Värttinä Mari Kaasine, Johanna Virtanen e Susan Aho, vozes enérgicas e harmónicas que são suportadas por seis músicos acústicos que aliam a instrumentação tradicional e contemporânea (feita à base da guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões) aos ritmos complexos e arranjos modernos.

"Omas Ludvig", Hedningarna (Suécia) - swedish folk, ethno-punk
Seguem-se os Hedningarna, que nos trazem o tema “Omas Ludvig”, extraído do álbum “Kaksi!” (em finlandês, a palavra quer dizer “dois”). Neste trabalho, editado em 1992, as vocalistas finlandesas Sanna Kurki-Suonio e Tellu Paulasto juntam-se ao grupo de pioneiros na renovação da folk sueca. Das incursões pelo mundo do rock à pop e ao techno, os Hedningarna (em sueco, hedning significa "pagão") misturam sonoridades contemporâneas com elementos da música tradicional nórdica. Temas que a banda, formada em 1987 e da qual hoje fazem parte Anders Skate Norudde, Hållbus Totte Mattsson, Christian Svensson e Magnus Stinnerbom, reinterpreta de forma livre e inventiva, juntando-lhe ainda percussões acústicas e electrónicas. Para isso, servem-se de antigos instrumentos de vários países do norte da Europa, e não só, como a moraharpa (versão medieval da nyckelharpa, harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas), a stråkharpa (lira nórdica de arco), o lagbordun, o hummel (cordofone sueco, da família da cítara e semelhante ao norueguês langeleik), a mandora (cordofone da família do alaúde), o oud (alaúde árabe), a sanfona, a guitarra barroca, a flauta transversal, o violino, a gaita sueca, o acordeão, o didgeridoo e o pandeiro.

"Benedito", Afroreggae (Brasil) & Manu Chao (França) - afro-reggae, samba, hip-hop
Despedimonos com os brasileiros Afroreggae e com o francês Manu Chao, que nos trazem o tema “Benedito”, extraído do álbum “Favela Uprising”, editado em 2007. A banda de dez elementos, que transformou a música num movimento cultural não violento, funde géneros que vão do reggae ao samba, soul ou hip-hop. Neste tema, à voz de Anderson Sá junta-se a de Manu Chao, conhecido de formações como os Mano Negra e os Radio Bemba Sound System. O resultado é um som recheado de contornos politicos, mas com todo o espírito festivo urbano. Parte mais visível do Grupo Cultural Afro Reggae, organização não governamental que desde 1993 trabalha com as comunidades pobres das favelas do Rio de Janeiro, e que através da música, percussão ou dança procura resgatar os jovens do mundo da droga. O projecto começou por ser um jornal sobre as rasta dancing’s, as festas que o grupo realizava junto da população afro-brasileira do bairro carioca de Vigário Geral. Hoje o antigo Núcleo Comunitario de Cultura desenvolve iniciativas não só no Brasil mas também no estrangeiro, história que é contada no filme “Favela Rising”, realizado em 2005 por Matt Mochary e Jeff Zimbalist.

quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Canto Nómada: última viagem do André Moutinho















Foi com grande consternação que soube do falecimento do André Moutinho, esta terça-feira, dia 27, vítima de um ataque cardíaco. Aos 32 anos de idade, desaparece assim o realizador do Canto Nómada, programa dedicado à música tradicional portuguesa e do mundo, onde havia lugar também para a apresentação de notícias e de breves entrevistas. O espaço era apresentado desde 2006 na Torres Novas FM, sua terra natal, e mais recentemente emitido a partir da Rádio Santiago, em Guimarães, cidade onde residia o também técnico de som dos Diabo a Sete, Chuchurumel e Quarto Minguante.

Nascido em 1975 e engenheiro
 de profissão, desde a primeira hora que o André estabeleceu contacto com o MULTIPISTAS – MÚSICAS DO MUNDO, manifestando interesse numa colaboração entre os dois programas. De facto, em Janeiro de 2007 participei numa das suas crónicas semanais com um texto de nome “A Minha Amiga Rádio”, um devaneio verbal sobre a minha paixão pela telefonia, ponte privilegiada de aproximação entre culturas e saberes, onde falava sobre o que novos suportes de difusão como a Internet poderiam representar para um género musical que então se começava a afirmar mais seriamente em Portugal. A mensagem acabou por ser correspondida com um registo de audio que o André gravou, também a convite, para ser divulgado no primeiro aniversário do MULTIPISTAS – MÚSICAS DO MUNDO. Por questões de alinhamento, este não chegou a ser emitido no espectáculo, podendo no entanto ser lido e escutado na íntegra neste mesmo blogue. Agora, mais do que nunca, impõe-se a sua divulgação pública na próxima Noite Temática, naquela que é a homenagem possível a um dos amigos mais especiais que o programa teve até hoje.

Fico grato ao André por ter partilhado o fruto do seu trabalho comigo e com outros radialistas, num desejo comum de aproximar vontades, entre elas, a de desbravar territórios sonoros bravios e a de estabelecer uma ligação mais próxima entre os ainda poucos autores de programas de músicas do mundo existentes nas rádios locais e regionais portuguesas. Foi uma experiência breve mas gratificante, a que agora temos de dar continuidade, melhor forma de recordarmos um jovem que como nós, mais do que a música, aprendeu a amar a liberdade e a humanidade naquilo que estas têm de melhor.

Não deixa de ser curioso recordar que o André foi encontrar o nome para o seu programa no livro homónimo de Bruce Chatwin, obra onde o escritor inglês fala sobre a viagem que fez à Austrália para tentar compreender os mapas sonoros com que os aborígenes, nas suas digressões, descrevem a paisagem e cantam a natureza. Fica a saudade de alguém que, demasiado cedo, deixou esta grande família global, mas que agora certamente terá acesso pleno aos segredos de todos esses cantos nómadas, os quais, por cá, continuam por revelar. Até sempre, André!

Jorge Costa

sábado, 24 de Maio de 2008

Multipistas promove segunda noite temática

NOITE TEMÁTICA MULTIPISTAS – MÚSICAS DO MUNDO
Sede do Váatão – Teatro de Castelo Branco
Sábado, 14 de Junho - 21:30
Entrada Livre




Cartaz e flyer promocionais do evento

Agendada para o próximo dia 14 de Junho, a partir das 21:30, nas instalações do Váatão – Teatro de Castelo Branco, a segunda noite temática do MULTIPISTAS – MÚSICAS DO MUNDO visa juntar de novo a comunidade de ouvintes, aficionados e público em geral em torno dos sons globais, celebrando assim as quase sete dezenas de emissões. Encontro multimédia aberto não só a alguns dos músicos e formações com que o programa se tem vindo a cruzar, mas também à participação de todos os interessados em contribuírem para um espectáculo que se pretende informal e diversificado.

Um serão recheado de muito ritmo, dança e cor, onde estarão presentes, entre outros, os covilhanenses Velha Gaiteira, grupo que ao cruzar a gaita portuguesa com o adufe, o pífaro, a caixa e o bombo do Paúl, apresenta originais e reinterpretações de temas tradicionais da Beira Baixa. Recorde-se que no ano passado o evento contou com as participações das Batuque, dos Bissa Guiné, dos Cibo Mosari, dos Ocaia e dos Trebaruna, representando os ritmos africanos de Cabo Verde e da Guiné Bissau, as melodias celtas irlandesas ou os sons tradicionais da Beira Baixa.

Desde Março de 2006 que o MULTIPISTAS – MÚSICAS DO MUNDO procura dar destaque a alguma da melhor música étnica produzida em todo o globo, sobretudo a que se funde com géneros mais actuais e urbanos, combinando tradição e modernidade. Apresentado, produzido e realizado por Jorge Costa, este é emitido aos sábados, às 17 horas, na Rádio Urbana, repetindo às quartas-feiras, a partir das 21 horas.

Para além da versão radiofónica, o programa pode ser escutado em podcast (até agora, foram quase 14 mil descargas, numa média de 300 por emissão) no blogue oficial (este contabiliza cerca de trinta mil visitantes e mais de quarenta mil visualizações, a maioria no Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos), onde são disponibilizadas ainda informações bibliográficas sobre os músicos, atalhos para páginas com eles relacionadas, capas dos discos em destaque e alinhamentos das emissões, bem como diversos conteúdos exclusivos como entrevistas a músicos e grupos nacionais e estrangeiros ou temas gravados ao vivo, ambos disponíveis no sítio da webtv regional Beira TV.

OUVIR ...↓
Jingle promocional (40'')

sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Os ares celtas dos Ventos da Líria

Repartido entre Alcains e Castelo Branco, o quinteto liga os ares celtas aos ventos da folk europeia, fusão festiva onde entram também o tango e os ritmos balcânicos. Depois de um trabalho de apresentação recheado de melodias e temas tradicionais, segue-se em breve o primeiro álbum de originais do grupo.


O grupo, sempre bem disposto, após mais um concerto
(foto: Márcio Martins)


Ainda que pouco conhecidos junto do grande público, eles são um dos vários nomes nacionais a reter quando o que está em causa é a música étnica feita sem qualquer espécie de fronteira pré-definida. E mesmo que os próprios conterrâneos não lhes conheçam a estética sonora, o nome do grupo certamente que não lhes será estranho de todo.

“Pensámos no que é que será que une Alcains e Castelo Branco, o que é que têm em comum sem ser a A23 [ainda não existia, mas estava já em construção] e a N18: a ribeira da Líria. Acho que acabou por ser um nome feliz, e pegámos na sonoridade dos ventos, dada a música celta, e no nome da Líria, por causa da ribeira”, explica ao MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO Rui Barata, acordeonista do grupo.

A aventura furtuita dos Ventos da Líria arrancou em 2001, acabando por dar lugar à formação de que hoje fazem também parte Susana Ribeiro, Gonçalo Rafael, António Preto e Mané Silva.
“Estava eu na Escola Secundária Nuno Álvares, houve um professor que me fez um desafio: pediu-me vinte minutos de música sem ser popular ou clássica”, recorda o músico. “Lembrei-me que no passado tinha tido um grupo que tinha dois temas de música clássica, e pensei que seria interessante. Então, fiz um telefonema ao Gonçalo e à Susana – na altura, o Gonçalo tocava teclas e piano e a Susana violino -, e lancei-lhes o desafio. Ensaiámos, aprendemos mais umas três ou quatro músicas, e fizemos essa apresentação de vinte minutos”, acrescenta Rui Barata. “Posteriormente mostrámos ao Gil, que passou a ser o quarto elemento do grupo, porque notámos que faltava ali um bocadinho de ritmo, então entrou ele na bateria. Com essa gravação, conseguimos arranjar mais dois concertos, e dada a receptividade do público, resolvemos continuar”.

A banda cruza as raízes da música tradicional com a folk irlandesa e com os sons da celtibéria. Ambientes sonoros inspirados em nomes de referência como Kepa Junkera e Luar na Lubre, ou em bandas lendárias como os Dubliners e os The Chieftains.

“O estilo ficou logo definido à partida: celta. Agora estamos a começar a entrar nos originais e a tocar algumas músicas a que já se pode chamar música do mundo, com uma fusão um pouco maior. Os novos instrumentos entraram para tentar tornar mais real o estilo de música. Por isso, eliminámos o piano e entraram a viola baixo, a guitarra e a bandola para cimentar o estilo”, refere o jovem acordeonista. “Há alguns meses que já tocamos em público algumas composições originais, que têm resultado muito bem, em que as pessoas nem se apercebem que é original porque está muito dentro da mesma onda”.

Uma onda musical onde entram também os tangos provocadores de Astor Piazolla e as melodias vulcânicas de Emir Kusturica. Ambiente festivo explosivo, capaz de contagiar todos aqueles que tenham uma paixão comum pelo ritmo.

“A base do nosso grupo é o diálogo entre o acordeão e o violino. São dois instrumentos que se cruzam muito bem, em que com linhas melódicas conseguimos fazer um jogo entre os dois instrumentistas e os próprios instrumentos, criamos uma comunicação agradável”, justifica o músico. “Como não temos voz e é uma música que vive exclusivamente do instrumental, temos de nos agarrar a qualquer coisa, essencialmente ao ritmo e à energia, e queremos um concerto contagiante, com as pessoas a vibrarem, a baterem palmas e a saltarem. Só com o ritmo é que conseguimos isso. Com uma batida mais enérgica, com a bateria, a viola baixo e a guitarra, conseguimos puxar o tango mais para esta onda folk”.

Os espectáculos vão surgindo dentro e fora da região, mas os Ventos da Líria sonham com ventos mais altos que os levem até outras paragens. Em banho-maria estão alguns dos temas destinados ao primeiro álbum de originais, ainda sem data prevista de lançamento. Para já, existe apenas um trabalho promocional, lançado no ano passado, e todo ele recheado de melodias e temas tradicionais.

“Estamos numa fase de muito crescimento, tanto a nível gráfico – agora temos um CD promocional que se chama “Às Voltas”, que era o que fazia falta para as pessoas lá fora, porque sem ouvirem é muito complicado contratarem-nos. Estes covers são algumas melodias de autor, todas trabalhadas por nós, e alguns temas tradicionais celtas. Mas agora, o objectivo é gravarmos um CD de originais, editar e partir para as televisões, por aí fora, divulgar ao máximo, e ver até onde este pequeno projecto pode ir”, conclui Rui Barata. “Nós só existimos porque o público tem insistido. O que nos faz pensar em apostar e ver que, se aguentámos até aqui, é um projecto que tem pernas para andar”.

Um estímulo para que os Ventos da Líria, inspirados pelos ares da Serra da Gardunha, continuem de olho nos ventos musicais que sopram dos quatro cantos do globo.

Jorge Costa

Emissão #65 - 17 Maio 2008

A 65ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 17 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 21 de Maio, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (7 e 11 de Junho) nos horários atrás indicados.

Um programa especial, onde se destaca a entrevista exclusiva aos Ventos da Líria, quinteto instrumental que liga os ares celtas aos ventos da folk europeia.

"Karavaani Kulkee", Tuomari Nurmio & Alamaailman Vasarat (Finlândia) - progressive folk, punk, rock
Tuomari Nurmio & Alaimaailman Vasarat a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Karavaani Kulkee”, tema do álbum conjunto “Kinaporin Kalifaatti”, editado em 2005. Tuomari Nurmio, nome artístico de Hannu Juhani Nurmio, nasceu em Helsínquia e é um dos mais originais cantautores finlandeses. Da música country e dos blues, às reminescências de Tom Waits, são impressões ora românticas, ora humorísticas, que Tuomari (“juíz”, em finlandês, alcunha adoptada desde que este se formou em Direito) combina com expressões peculiares, metáforas e vernáculo quanto baste. Depois do duo de guitarra e bateria com Markku Hillilä, surge agora a colaboração com os Alamaailman Vasarat (Martelos do Submundo) numa mistura que combina melodia, harmonia e ritmo. Criados em 1997 também em Helsínquia por dois membros do grupo de rock progressivo Höyry-Kone - o percussionista Teemu Hänninen e o guitarrista Jarno Sarkula, que então comprou um saxofone soprano -, os Vasarat são um projecto acústico cheio de humor e energia. A banda – a que se juntam Miikka Huttunen, Marko Manninen, Tuukka Helminen e Erno Haukkala - apresenta-se como uma combinação de world music ficcional oriunda do seu próprio continente imaginário, a Vasaraasia, com elementos de heavy metal, jazz e música klezmer. Uma folk progressiva situada algures entre o chamber rock, o ethnic brass punk e o kosher-kebab jazz. São climas sombrios e texturas densas numa original mistura de timbres baseada em instrumentos de sopro (trombone, clarinete e saxofone soprano), no violoncelo, no piano e no órgão, mas também em instrumentos como o didgeridoo e o shenhai (espécie de oboé indiano). Ritmos acelerados e frenéticos a provarem que no rock não são necessárias guitarras eléctricas.

"Prima Donna", Ricardo Lemvo (RD Congo) - salsa, rumba, soukous, afropop
As músicas do mundo prosseguem com Ricardo Lemvo e o tema "Prima Donna", um híbrido festivo extraído do seu quinto e último álbum “Isabela”, lançado em 2007 e baptizado com o nome da própria filha. Trabalho onde o músico, que começou por tocar em bandas de rhythm & blues, prossegue com a habitual mistura de géneros afro-americanos como a salsa cubana, o soukous ou a rumba congolesa, a que se juntam ainda incursões pelo universo do merengue, do boogaloo ou do tango. Um álbum que conta com as participações do guitarrista congolês Papa Noël, do violinista cubano Alfredo de la Fé, dos vocalistas Maria de Barros, Janan Guzey, Wuta Mayi, Nyboma, El Niño Jesús e do rapper Qbanito. Nascido no antigo Zaire, mas de ascendência angolana, Ricardo Lemvo passou toda a sua infância em Kinshasa, hoje capital da República Democrática do Congo. Foi ali que ele se deixou inspirar pelos ritmos e melodias da rumba congolesa e do soukous, fruto da influência da música cubana nas décadas de 1950 e 1960 naquele país. Aos 15 anos, Lemvo mudava-se para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde, influenciado pelo vibrante ambiente da salsa, acabaria por trocar o curso de Direito pela música. Depois de ter sido vocalista em várias bandas, em 1990 este fundava os Makina Loca, uma dezena de músicos que combinam a rumba congolesa com o cubano son montuno, ligando as raízes africanas e os sons afro-portugueses aos da diáspora latina. Ricardo Lemvo canta em inglês, francês, castelhano, português, turco, suaíli, lingala e quicongo, uma panóplia de línguas associadas a temas que através do ritmo e da dança celebram a vida, e que, entre outros, são tocados por músicos como o colombiano Joe Arroyo e a cubana Orquestra Reve.

"Dabbaax", Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
Youssou N’Dour de regresso ao programa, desta feita com “Dabbaax”, tema retirado do álbum “Rokku Mi Rokka” (Apanhar e Levar), editado em 2007. Trabalho onde o mais famoso cantor senegalês se aproxima dos cantos religiosos sufi, das percussões dos griots e dos sons do norte do Senegal, num apelo à paz, tolerância e valorização do continente africano. No final dos anos 70, o autor, intérprete e músico, que aprendeu a cantar com a mãe, formava com o cantor El Hadj Faye os L'Etoile de Dakar, e em 1981 os Le Super Étoile de Dakar. Cruzando os ritmos sincopados do mbalax senegalês com a pop internacional, numa fusão que inclui o jazz, a soul e arranjos afro-cubanos, o “rouxinol de Dakar” depressa cativou o público ocidental sem no entanto abdicar das suas raízes, conquistando o estatuto de embaixador da música africana. Nos seus temas em wolof e inglês, Youssou N’Dour retrata o mundo da pobreza, da emigração ou os valores culturais africanos. Um dos mais conhecidos a nível global é “Seven Seconds”, gravado com Neneh Cherry. Através da música, Youssou N'Dour pretende quebrar o silêncio das crianças que sofrem e abraçar as causas humanitárias. Da fundação com o seu nome aos concertos em benefício da Amnistia Internacional, o embaixador da boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF tem por isso mesmo colaborado com músicos como Peter Gabriel, Axelle Red, Sting, Alan Stivell, Bran Van 3000, Wyclef Jean, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Branford Marsalis, Ryuichi Sakamoto ou o camaronês Manu Dibango.

"Ach Adani", Rachid Taha (Argélia) - chaâbi, raï, rock, punk, techno
A jornada continua com Rachid Taha e “Ach Adani”, parte integrante do álbum “Diwan”, lançado em 1998. São arranjos e interpretações de temas magrebinos e árabes, numa homenagem às melodias e canções de músicos da sua infância como Blaoui Houari, estrela argelina da década de 1950, ou Mohamed Mazouni. Clássicos actualizados num trabalho produzido por Steve Hillage. Rachid Taha nasceu na cidade costeira de Oran, na Argélia, mas desde muito cedo que emigrou com a família para França. Alsácia e Vosges foram os primeiros destinos do músico e compositor residente em Paris, cidade onde começou a sua carreira a solo. Em 1981, enquanto vivia em Lyon, Rachid Taha conheceu Mohammed e Moktar Amini. Foi então que os três, juntamente com Djamel Dif e Eric Vaquer, formaram a banda de rock “Carte de Séjour” (“autorização de residência”), nome que se refere à crescente movimentação dos descendentes dos imigrantes argelinos, que na época começavam a reclamar por um maior espaço de intervenção na sociedade francesa. Popular e polémico, Rachid Taha mistura o rock urbano com a música tradicional do Oriente, cantando em árabe. Nas suas influências destacam-se o chaâbi e o raï, géneros que cruzou não só com sons africanos e europeus, mas também com o punk ou o techno. Rachid Taha não deixa ninguém indiferente, já que ao longo de mais de duas décadas se tem batido pela defesa da democracia e da tolerância e pela luta contra o racismo e todas as formas de exclusão, sem esquecer a guerra contra a pobreza, o medo e os fundamentalismos árabes.

"Bèlaya Bèlaya", Mahmoud Ahmed (Etiópia) - eskeusta, afropop, ethiopian jazz
Mahmoud Ahmed estreia-se no programa com “Bèlaya Bèlaya”, tema extraído do álbum “Éthiopiques 19 - Alèmyé”, editado em 2005. Parte de uma colectânea retrospectiva sobre a obra de diversos cantores e instrumentistas da música popular e tradicional da Etiópia e Eritreia, entre eles Alemayehu Eshete, Asnaketch Worku, Mulatu Astatke e Tilahun Gessesse. Nascido em Adis Abeba, onde ainda vive, Mahmoud Ahmed é um cantor de origem gurage, etnia do sudoeste da capital etíope, conhecida pelas suas danças tradicionais exuberantes. O músico estreou-se nos anos 60 no Arizona Club, cantando com a banda do capitão Girma Hadgue. Mais tarde, integrou a banda da Guarda Imperial de Haile Selassie, tendo vindo a colaborar com formações como Roha Band, Musicians Titesh, Dahlack Band ou Idan Raichel Project. Com uma voz multitímbrica, Mahmoud Ahmed é o rei da eskeusta (“êxtase”), género que cruza os ritmos complexos e repetitivos da música tradicional amárica com a pop, o free jazz, a soul, o funk, o rhythm & blues ou a dub. Uma mistura de sabor indiano, acompanhada quase sempre por sons ora eléctricos, ora acústicos, onde é possível encontrar instrumentos como o krar (cordofone de cinco ou seis corda, semelhante à lira, característico da Eritreia e da Etiópia), a guitarra e o bandolim. São canções de amor cujas letras escondem desabafos políticos, imagem de uma carreira feita de persistência quanto baste. Grande parte da extensa discografia do músico foi gravada durante os anos 70, uma actividade interrompida com a repressão política de Mengistu e dos governos seguintes. Há três décadas que a lenda viva da Etiópia não edita um disco de originais, e há quase vinte que não compõe. Contudo, e ainda que pouco conhecido no ocidente, Mahmoud Ahmed e a sua banda tocam ocasionalmente junto dos seus compatriotas exilados na Europa e nos Estados Unidos.

"Roda Cozida", Ventos da Líria (Portugal) - celtic, irish folk, fusion
Os Ventos da Líria trazem-nos “Roda Cozida”, um dos temas que deverá integrar o seu primeiro álbum de originais, ainda sem data prevista de lançamento. Para já, o grupo conta com o trabalho promocional “Às Voltas”, editado em 2007 e feito de melodias de autor e de temas tradicionais celtas. Repartido entre Alcains e Castelo Branco, o jovem quinteto liga os ares celtas ibéricos aos ventos da folk irlandesa, fusão festiva inspirada em nomes de referência como Kepa Junkera e Luar na Lubre, ou em bandas lendárias como os Dubliners e os The Chieftains. Ambientes musicais onde entram também os tangos provocadores de Astor Piazolla e as melodias vulcânicas de Emir Kusturica. A aventura furtuita arrancou em 2001, acabando por dar lugar à formação de que hoje fazem parte Rui Barata, Susana Ribeiro, Gonçalo Rafael, António Preto e Mané Silva. Ao diálogo ritmado entre o acordeão e o violino juntam-se a viola baixo, a guitarra, a bandola ou a bateria. Energia sonora que serve de estímulo aos Ventos da Líria. Tudo para que, inspirados pelos ares da Serra da Gardunha, estes continuem de olho nos ventos musicais que sopram dos quatro cantos do globo. A 23 e 24 de Maio o grupo ruma até Vila Viçosa e Torres Novas, respectivamente. Mais adiante, a 18 de Julho, segue-se o concerto em Penamacor. Finalmente, em Setembro, os Ventos da Líria vão estar nas Sarnadas de Ródão (dia 7) e em Castelo Branco (dia 19).

"Iman", Andrea Echeverri (Colômbia) - latin rock, colombian folk, country
Despedimo-nos com a colombiana Andrea Echeverri e o tema “Íman”, extraído do primeiro álbum a solo da vocalista e guitarrista dos Atercipelados, assinado com o seu nome e lançado em 2005. Depois de uma década à frente da banda que mistura o rock alternativo latino com a folk colombiana, Andrea seguiu outros caminhos. Durante a sua gravidez e após o parto, Andrea compôs então uma série de melodias que celebram a magia da maternidade ou o amor ao seu marido e à sua filha Milagros. O resultado é um trabalho que cruza os sons latinos, o rock, a música country e electrónica e o africano highlife com a subtileza da voz de Andrea Echeverri. O disco, gravado em Bogotá, sua cidade natal, por outro membro da banda, o baixista Héctor Buitrago, e misturado por Thom Russo, foi nomeado em 2006 para os Grammys na categoria de Melhor Álbum Latino de Rock Alternativo. Andrea Echeverri colaborou com bandas como Soda Stereo, contando com participações na banda sonora de "La Mujer de mi Hermano", do peruano Jaime Bayly, e no filme "¿Quién dice que es fácil?", do realizador argentino Juan Taratuto.

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Bons Sons regressam a Cem Soldos

A música está de regresso às ruas de Cem Soldos na segunda edição do Festival Bons Sons, evento bienal que entre 22 e 24 de Agosto decorre naquela aldeia do concelho de Tomar. Da folk renascida ao fado, cabaré, fanfarra, jazz ou electroacústica experimental, o Sport Club Operário de Cem Soldos continua a apostar nos “novos grupos nacionais de qualidade”.
Os brasileiros Pedra Branca inauguram o festival na sexta-feira, dia 22, no Largo do Rossio, seguindo-se os lusos München, Galandum Galundaina e Kumpania Algazarra. A noite de sábado, dia 23 contará com a presença dos O’queStrada, Deolinda e Tora Tora Big Band + Rão Kyao. Finalmente no domingo, dia 24, a animar o palco principal estarão os Roncos do Diabo e a Brigada Victor Jara.

Novidade são os concertos de música erudita na Igreja de São Sebastião, que na tarde de sábado acolhe a Escola Gualdim Pais, a Escola Canto Firme, o Duo Sellium e o Power Trio. No mesmo dia, Ana Tricão e João Bento apresentam no auditório da povoação o espectáculo “Sem Título Até Hoje...”, proposta performativa de dança, música e artes plásticas.

Pelo meio, não faltam as noites longas ao som da electrónica, indie, rock, retro ou punk, a cargo de Suuh DJ set (dia 22) e dos Dj’s Athletic Cocktail (dia 23). Já a música e a dança tradicional portuguesa atravessam as ruelas de Cem Soldos na tarde de domingo com os Bombos de São Sebastião, de Viana do Castelo, e os Pauliteiros de Miranda.

Em permanência, a feira de marroquinarias e artesanato estará nas ruas do centro da aldeia, estando prevista a realização de duas mostras de fotografia e artes plásticas no centro de exposições. Todas as iniciativas têm entrada gratuita. 

Jorge Costa

sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Emissão #64 - 3 Maio 2008

A 64ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 3 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 7 de Maio, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (24 e 28 de Maio) nos horários atrás indicados.

"Return to Irishmore", Bill Douglas (Canadá) - new age, celtic, jazz
O canadiano Bill Douglas inaugura mais uma emissão com “Return to Irishmore”, parte integrante do álbum “Deep Peace”, editado em 1996. Um conjunto de composições clássicas modernas que se combinam com a melódica folk britânica e com a tradição coral renascentista. A inspiração na paisagem sonora celta da Irlanda, Escócia e Inglaterra serve de base à música com que Bill Douglas expressa o seu amor pela poesia de William Butler Yeats, Robert Burns, William Blake ou Alfred Graves. Versos cujo lirismo é transposto para versões instrumentais, tocadas por orquestras e grupos de câmara de todo o mundo, e corais levadas a cabo, por exemplo, com o grupo a cappella americano Ars Nova Singers. Uma new age fortemente ligada à música clássica e ao jazz, mas onde se encontram as influências da música africana, indiana ou brasileira. Ao longo de três décadas, o compositor e multinstrumentista, nascido em London, na província de Ontário, tocou na Orquestra Sinfónica de Toronto, tendo colaborado com músicos como Richard Stoltzman, Peter Serkin, Gary Burton ou Eddie Gomez. Bill Douglas estudou nas universidades de Toronto e Yale, trocando mais tarde a Academia de Artes da Califórnia pelo ex-Instituto de Naropa, no Colorado, estado americano onde vive e desenvolveu um interesse mais abrangente pela música do mundo.


"Baile do Escangalhado", Mandrágora (Portugal) - folk, jazz, rock
As músicas do mundo prosseguem com os Mandrágora e o "Baile do Escangalhado", tema extraído seu segundo álbum “Escarpa”, lançado este mês de Maio. Trabalho onde participam Simone Bottaso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), Francisco Madeira (voz e guitarra) e Helena Silva (voz). Depois de explorarem as raízes da folk através das flautas e gaitas-de-foles, neste seu novo disco os Mandrágora (segundo a crença popular, a Mandrágora, uma planta afrodisíaca com uma raiz de odor forte e forma humana, grita quando é arrancada da terra) seguem um caminho mais urbano, adicionando-lhe amostras de jazz e rock. São músicas rápidas, recheadas de improviso e percussão, a que se juntam os arranjos de guitarra, baixo e saxofone, e instrumentos de arco como o violoncelo, a moraharpa e a sua predecessora nyckelharpa, ambas referências tradicionais da Suécia. As composições deste colectivo do Porto, formado em 1999 e de que hoje fazem parte Filipa Santos, Ricardo Lopes, Pedro Viana, Sérgio Calisto e João Serrador, evocam a tradição musical portuguesa, procurando influências noutras culturas e na música moderna. Depois de uma tournée pela Bretanha, em Maio segue-se uma digressão dos Mandrágora pelos bairros do Porto. Os concertos de lançamento do novo álbum repartem-se pelos auditórios do Instituto Superior de Engenharia (dia 9), de Aldoar (dia 10), da Pasteleira (dia 16) e de Campanhã (dia 17).

"Alvor Bencanta", Júlio Pereira (Portugal) - folk, acoustic, fusion
Júlio Pereira de regresso ao programa, desta feita com “Alvor Bencanta”, tema retirado do álbum “Geografias”, editado em 2007. Um conjunto de inéditos instrumentais baseados em memórias de viagens e experimentações sonoras, resultado da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola braguesa, bouzouki e sintetizadores. Depois de muitos anos ligado ao cavaquinho, Júlio Pereira volta-se agora para outro cordofone pequeno, o bandolim, instrumento que o acompanha desde a infância. São sons tradicionais portugueses à mistura com ritmos africanos e orientais, num trabalho que conta com as vozes de Sara Tavares, Isabel Dias (grupo minhoto Raízes) e Marisa Pinto (Donna Maria), bem como Miguel Veras na viola acústica e guitarra e Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Júlio Pereira estreou-se no rock com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. Da inovação musical dos anos 60/70, à revitalização dos instrumentos tradicionais, a partir dos anos 80/90 Júlio Pereira associou-os a soluções acústicas contemporâneas. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o multi-instrumentista, compositor e produtor tem colaborado com músicos como Carlos do Carmo, Amélia Muge, Pedro Burmester, Eugénia Melo e Castro, Zeca e João Afonso, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé ou Fausto, bem como os The Chieftains, Pete Seeger, Kepa Junkera, Xosé Manuel Budiño, Uxia ou Na Lúa. Entretanto, o músico continua na estrada: a 18 de Maio, Júlio Pereira estará na Casa da Música do Porto.

"Tus Huellas", Colombiafrica - The Mystic Orchestra (Colômbia, Congo, Nigéria, Bolívia) - champeta, afrobeat, soukous, highlife
A jornada continua com os Colombiafrica The Mystic Orchestra e “Tus Huellas”, tema extraído do álbum “Voodoo Love Inna Champeta Land”, lançado em 2007. Depois de séculos de colonização, Colômbia e África juntam-se finalmente através da champeta criolla, o primeiro género afro-colombiano contemporâneo. São versões locais de ritmos africanos como o soukous congolês, o highlife ganês, a afro-beat nigeriana ou o sul-africano mbaqanga, que se misturam com a cumbia, o bullerengue, a chalupa, o lumbalú (canção funerária) e outros estilos caribenhos, num diálogo permanente entre as percussões, as guitarras e as vozes. Neste trabalho, as estrelas da champeta Viviano Torres, Luís Towers e Justo Valdez, originários da cidade de San Basilio de Palenque, juntamente com o produtor Lucas Silva (“Champeta-Man Original”), devolvem a África os ritmos afro-colombianos. Uma jornada em que contam com talentos oriundos do Congo, Guiné, Angola e Camarões, tais como Dally Kimoko, Diblo Dibala, Nyboma, Sékou Diabaté, Rigo Star, Bopol Mansiamina, Caien Madoka, Ocean, 3615 Code Niawu, Hadya Kouyate, Son Palenque, Las Alegres Ambulancias, Batata e Guy Bilong.

"Moussoulou", Onsulade (EUA) vs. Salif Keita (Mali) - afropop, mandingo
Salif Keita apresenta-nos o tema "Moussoulou", numa versão remisturada pelo músico e compositor americano Onsulade, extraída do álbum “Remixes From Moffou”, editado em 2004. Trabalho onde diversos DJ’s e produtores como Frédéric Galliano, Gekko, Ark, Cabanne, Tim Paris, The Boldz, Luciano, La Funk Mob, Charles Webster, Doctor L, Cyril K ou Paul St Hilaire adaptam a música da voz de ouro do Mali aos cânones da electrónica, acrescentando-lhes novos instrumentos e atmosferas sonoras influenciadas pelo funk, house, dub e drum’n bass. Salif Keita começou a sua carreira nos anos 60 na Rail Band e nos Ambassadeurs. Com a sua aproximação ao rock, ao jazz, à soul, à chanson française ou aos ritmos afro-cubanos, o músico inaugurava o conceito de afropop. Em 2002, com “Moffou”, inicia uma nova carreira, antecipando o renascimento da música tradicional mandingo e dos seus principais instrumentos, como a ngoni (uma espécie de guitarra mourisca), o balafon (um xilofone ancestral) ou o calabash (um instrumento de percussão). Um longo percurso que teve como pontos altos a passagem por Abdijan, Nova Iorque e Paris.


"Benvinguts", Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock
Seguem-se os Cheb Balowski com “Benvinguts”, tema extraído do álbum “Bartzeloona”, primeiro trabalho do grupo, editado em 2001. A designação da banda resulta da junção dos termos Cheb ("o jovem", em árabe), complemento habitual nos nomes dos cantores de raï argelinos, e Balowski (em polaco, o verbo balować significa "divertir-se bailando"), apelido do emigrante de Leste interpretado por Alexei Sayle na série de televisão inglesa “The Young Ones”. Formados em 2000 em Barcelona, depois de uma infância comum no bairro de Raval, os Cheb Balowski integram uma dezena de músicos - eles são Yacine Belahcene Benet, Isabel Vinardell Fleck, Marc Llobera Escorsa, Santi Eizaguirre Anglada, Jordi Marfà Vives, Daniel Pitarch Fernández, Jordi Ferrer Savall e Arnau Oliveres Künzi, Jordí Herreros e Sisu Coromina. Cantando em castelhano, catalão, francês e árabe, eles cruzam a música catalã e a cultura mediterrânica com a energia do raï, do gnawa, do reggae e do rock. Um ambiente festivo, que vai do flamenco e da pachanga aos ritmos balcânicos, árabes, africanos e mediterrânicos, assente na sonoridade de violinos, saxofones, trompetes, piano, bateria, acordeão, guitarra, baixo e todo o tipo de percussões.

"Huxi", Mercan Dede (Turquia)sufi music, electronic
Mercan Dede, um dos mais importantes artistas turcos, traz-nos o tema “Huxi”, retirado do álbum “Nefes”, lançado em 2006. Radicado em Montreal, no Canadá, Mercan Dede mistura a música tradicional com batidas electrónicas. Ele desenvolve duas carreiras paralelas: como Arkin Allen é um DJ especializado em hard techno; como Mercan Dede mistura a tradição do sufismo com estilos contemporâneos. Com o seu ensemble de músicos turcos e canadianos, fundado em 1998 e formado pelos músicos Mohammad, Farokh Shams e Ben Grossman e pela dançarina Isaiah Sala, Mercan Dede funde as tradições espirituais da música sufi com sons actuais, criando uma mistura única entre o Oriente e o Ocidente. Nas suas actuações, ele utiliza instrumentos de origem turca como a ney (flauta de cana) e a kanun (cítara), e mistura as percussões do Médio Oriente com sons electrónicos, tudo isso enquanto que um dervish dança em palco. No disco “Nefes” (Respiração), o terceiro de uma série de quatro que começou com Nar (Fogo) e continuou com Su (Água), Mercan Dede cria uma fusão que captura a magia do Oriente, os elementos místicos, a instrumentação tradicional e os sons electrónicos.

"Sirena", Fufü-Ai (Espanha) - rock, french pop
Despedimo-nos com os Fufü-Ai, que desta feita nos trazem o tema “Sirena”, retirado do seu segundo álbum “For Ever”, gravado no verão de 2007. Trabalho onde a pop sensual e ingénua do primeiro disco “Petite Fleur”, lançado no ano anterior, se alarga ao reggae, à bossa nova, ao rock e ao punk. Propostas mestiças que partem do ambiente multicultural do El Raval, o conhecido bairro da Ciutat Vella de Barcelona, num french touch que fica completo com letras em francês, castelhano ou inglês. Em 2004, a vocalista Anouk Chauvet (Color Humano) reencontrou-se com o guitarrista e produtor Tomas Arroyos "Tomasin" (Les Casse-Pieds, La Kinky Beat, Mano Negra, Color Humano, Dusminguet), numa primeira versão acústica de Fufü-Ai, formação a que hoje se juntam a teclista Laia (Brazuca Matraca), o baixista Fernando "dinky" e o baterista Óscar. O projecto da capital catalã conta ainda com as colaborações pontuais de músicos como Yacine (Nour), Miryam ‘Matahary’ (La Kinky Beat), Joan Garriga (La Troba Kung-Fu), Sandro (Macaco), Stefarmo ou Baba (Black Baudelaire).

Jorge Costa

quinta-feira, 1 de Maio de 2008

World Music Charts Europe - Maio 2008

Eis o TOP 20 relativo ao mês de Maio dos 182 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, para além da permanência de Mercan Dede na liderança, as novas nove entradas no topo do painel (cinco em estreia absoluta no WMCE e quatro a subir para os primeiros vinte lugares):

1º- 800, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
mês passado: 1ºlugar

2º- 3MA, Project 3MA: Rajery, Ballake Sissoko, Driss El Maloumi (Mali, Marrocos, Madagáscar) - Contre-Jour
estreia na tabela
3º- UMALALI: THE GARIFUNA WOMEN'S PROJECT, vários (Belize, Guatemala) - Cumbancha
mês passado: 18ºlugar
4º-  FRAGILE BEAUTY, Huong Thanh (Vietname, França) - ACT
mês passado: 2ºlugar
5º- NEW DAWN - KU KHATA, Neco Novellas (Moçambique) - World Connection
mês passado: 4ºlugar
6º- BALKAN BEATS VOL.3, vários - Eastbook
estreia na tabela
7º- THE MANDE VARIATIONS, Toumani Diabaté (Mali) - World Circuit
mês passado: 3ºlugar
8º- DESERT BLUES 3, vários - Network
estreia na tabela
9º- BALDAMORE, Hadouk Trio (França) - Naive
mês passado: 10ºlugar
10º- SOUNDS FROM A BYGONE AGE VOL. 5, Gabi Lunca (Roménia) - Asphalt Tango
mês passado: 9ºlugar
11º- BLACK STARS, vários (Gana) - Outhere
mês passado: 12ºlugar
12º- MANY LESSONS, Bantu, Docta etc. (vários) - Piranha
mês passado: 171ºlugar
13º- ETHNOMECANICA, Zdob si Zdub (Moldavia) - Lawine/Sony
mês passado: 24ºlugar
14º- AKAPELLEANDO, Vocal Sampling (Cuba) - Skip Records
mês passado: 7ºlugar
15º- CAPE JAZZ 3, Vários (África do Sul) - Mountain Records
estreia na tabela
16º- KOCIJANI, Kries (Croácia) - Copito
estreia na tabela
17º- DIASPORA HI-FI, Watcha Clan (França) - Piranha
mês passado: 8ºlugar
18º- THE BOY BANDS HAVE WON..., Chumbawamba (Reino Unido) - Westpark
mês passado: 27ºlugar
19º- AKWABA INISENE, Aly Keita (Costa do Marfim) - Contre-Jour
mês passado: 20ºlugar
20º- MALDITO TANGO, Melingo (Argentina) - Naive
mês passado: 44ºlugar

sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Emissão #63 - 19 Abril 2008

A 63ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 19 de Abril, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 23 de Abril, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (10 e 14 de Maio) nos horários atrás indicados.

"Indá Pastores", Fadomorse (Portugal) - folk, world fusion
Os Fadomorse inauguram o programa
com “Indá Pastores”, tema que faz parte do seu terceiro álbum de originais “Folklore Hardcore”, editado este ano. A banda transmontana, criada em 2000 na cidade de Mirandela, explora os timbres dos instrumentos tradicionais (acordeão, flauta transversal, gaita de foles, cavaquinho, viola braguesa ou guitarra portuguesa) e a riqueza harmónica e melódica do cancioneiro nacional, acrescentando-lhes no entanto novas tendências e sonoridades. Sons que o grupo de sete elementos descreve como sendo uma fusão da raiz popular portuguesa com a melhor música do mundo, mas que não estão necessariamente associados a estilos ou géneros específicos. Influenciados por nomes como Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Gentle Giant, Frank Zappa ou Mr Bungle, os Fadomorse apresentam um conjunto ritmado de inéditos e arranjos, cantados nos vários sotaques do país, da Madeira aos Açores, sem esquecer o Alentejo. Aventuras sonoras onde eles têm contado com as colaborações de Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Abel Beja (Primitive Reason) ou Peixe (Pluto). A 24 Abril, os Fadomorse vão estar em Santa Iria da Azóia. Já em Maio, eles tocam no D’Orpheu, em Águeda (dia 2), rumando depois até ao Festival Ollin Kan, na Cidade do México (dias 5, 9 e 11).

"Lagos Sisi", Bola Johnson (Nigéria) - highlife, afrofunk, pajoka
As músicas do mundo prosseguem com Bola Johnson e "Lagos Sisi", história de uma rapariga do campo (sisi é uma expressão atribuída a uma jovem atraente) que vai para a cidade e se comporta de uma forma que certamente não agradaria aos pais. Uma provocação sonora onde a pop ocidental se funde com comentários sociais e amostras do highlife. O tema pertence ao álbum “Lagos Sisi/Jeka Dubu”, lançado em vinil em 1973, fazendo hoje parte da compilação editada trinta e um anos depois “Afro Baby: The Evolution of The Afro-Sound in Nigéria 1970-79”. Convém recordar que afro-man e afro-baby eram os títulos atribuídos àqueles cuja rebelião melhor personalizava uma geração optimista, inspirada pelo movimento dos direitos civis e pelo psicadelismo americano, e comprometida com a procura das suas raízes culturais, depois de uma era colonial em que muitas das suas tradições haviam sido suprimidas. Referência do highlife, tal como a sua banda Easy Life Top Beats, Bola Johnson focou-se na soul de James Brown e numa mistura de highlife, jazz e funk a que chamou pajoka. A fusão criativa e enérgica dos ritmos africanos com estes e outros sons ocidentais como o rock foi aliás um fenómeno em todo o continente, em especial nas cidades e pistas de dança nigerianas. Uma herança legada nos anos 60 por Fela Kuti e Orlando Julius, que então descobriram a pólvora musical africana ao combinarem o highlife com elementos do jazz e do rhythm & blues.

"Leroy", Tweak (Suiça) & Tony Allen (Nigéria) -